O livro “Remediation: Understanding New Media” (2000), de Jay David Bolter e Richard Grusin, aborda três conceitos interessantes para a compreensão das mídias e, mais especificamente, das mídias digitais: remediação (“remediation”), imediação (“immediacy”) e hipermediação (“hypermediacy”).

O primeiro conceito, de remediação, diz respeito ao modo como novas mídias se baseiam em mídias anteriores ao surgirem, coexistindo e transformando-se mutuamente. Um bom exemplo seria a influência do cinema na construção das realidades virtuais. O segundo conceito, de imediação, está relacionado a uma “lógica de transparência”, na qual há a tentativa de ocultação e neutralização da visibilidade do meio, como, por exemplo, as telas cada vez mais sofisticadas dos televisores que buscam recriar, ao máximo, uma ilusão imagética da realidade transmitida. Por outro lado, o terceiro conceito, de hipermediação, remete-se a uma “lógica de opacidade”, que salienta o processo de revelação do meio, observável claramente em obras artísticas metalinguísticas. Juntos, estes conceitos formam um tripé não excludente para o entendimento das mídias.

A partir das definições expostas acima, podemos analisar a mudança de paradigma que ocorreu na pintura com a introdução da estética do movimento impressionista no século XIX: foram desenvolvidas novas técnicas de representação de imagens que destacavam a presença das pinceladas de tinta nas telas, reflexo da tentativa de capturar impressões passageiras e momentos efêmeros ao ar livre. Os pintores do Impressionismo, como Monet, Degas e Renoir (entre outros), trouxeram o fator da hipermediação para a pintura, pois era possível perceber a tinta nos quadros, a composição das obras era cruamente exposta aos observadores. De longe, percebem-se os contornos coloridos de uma paisagem, mas de perto se vê um “complexo amontoado” de pinceladas.

As preocupações e escolhas tomadas na criação da estética impressionista representam uma tendência dos movimentos vanguardistas, até os dias atuais, de questionamento e reflexão sobre os meios: a tensão entre imediação e hipermediação é um dos grandes focos da contemporaneidade.

 

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Impressão, nascer do sol – 1872, Claude Monet
(Disponível em: http://pt.wahooart.com/@@/5ZKBVXBIS-Claude-Monet-impress%C3%A3o-Nascer-do-sol-. Acesso em 24 out. 2016.)

 

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As bailarinas – 1878, Edgar Degas
(Disponível em: http://artemazeh.blogspot.pt/2012/12/edgar-degas-impressionista-ma-non-troppo.html. Acesso em 24 out. 2016.)

 

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No terraço – 1881, Pierre-Auguste Renoir
(Disponível em: http://noticias.universia.com.br/destaque/noticia/2014/04/03/1093590/impressionismo-on-the-terrace-pierre-auguste-renoir.html. Acesso em 24 out. 2016.)

 

Referência

BOLTER, Jay David; GRUSIN, Richard. Remediation: Understanding New Media. Cambridge MA: MIT Press, 2000.

 

Luana Gomyde