“O que nós procuramos, ao nível mais profundo, é assemelhar interiormente, mais do que possuir fisicamente, os objectos e lugares que nos tocam através da sua beleza.” Alain Botton.

No final dos anos 90, Jay David Bolter e Richard Grusin, em “Understanding New Media”, refletem sobre o modo como dois meios se relacionam entre si, tanto do ponto de vista histórico, como cultural. Deste modo, recorrem à lógica formal a partir da qual novos média recuperam as formas dos média anteriores, transformando-os e coexistindo com eles – Remediação.

Anexado a esta ideia, estão também outros dois conceitos, o de Imediacia e o de Hipermediacia. O primeiro é referente à capacidade que um determinado meio tem para ocultar a sua materialidade, ocorrendo um efeito de transparência. Enquanto que o segundo se baseia na afirmação da sua materialidade, evidenciando-se.

entrada.JPG
“Art in Paradise” é o exemplo ideal para mostrar a tensão existente entre a lógica da transparência e da opacidade, que embora pareçam antagonismos, podem coexistir. Nesta galeria de arte em 3D, é possível desfrutar de uma panóplia de obras que nos convidam a entrar num mundo fantástico, que quase parece vivo, não fosse a sua tridimensionalidade fictícia. A conceção do espaço está tão bem elaborada, que parece real, fazendo-nos esquecer de que se tratam de pinturas numa superfície plana – imediacia.

egipto.jpg

Dividida em seis zonas, esta galeria concede-nos uma viagem tanto de contemplação como de puro divertimento. Obras presentes nas zonas da Vida Selvagem, do Mundo Subaquático e das Cidades da Europa, onde são representados inúmeros animais e paisagens naturais são exemplos do rigor e verosimilhança que colocam o espectador num estado de imersividade total – o meio esconde-se (imediacia).

Contudo, a componente lúdica é a de maior destaque nesta coleção, motivando a interação do visitante com as obras. Muitas delas apresentam um caráter fantástico, relembrando o espectador da presença do meio – hipermediacia.

toque de deus.jpg

A zona das criaturas extintas, com dinossauros, a zona de Arte Clássica, onde se conjugam obras de renome internacional com alterações que as tornam recreativas, ou até mesmo a zona de Arte Surreal, onde o visitante é confrontado com objetos anormalmente gigantes provam que a arte tem a capacidade de ser ilusória, mas simultaneamente reveladora da sua materialidade.

olho do dinossauro.jpg

 

 

Referências:

BOLTER, Jay David; GRUSIN, Richard. Remediation: Understanding New Media. Cambridge MA: MIT Press, 2000.

http://chiangmai-artinparadise.com/introduct.php

http://www.pattayaconcierge.com/specified-place/art-in-paradise-pattaya/201200000009/attraction/

Imagens:

http://chiangmai-artinparadise.com/gallery.php

 

Filipa Saraiva