Na passagem entre o meio analógico e o digital vimos toda a nossa forma de viver e ver o mundo se alterando, vemos isso refletido até mesmo na forma e na necessidade de nos relacionarmos em meio a uma nova configuração de afirmação social. Hoje, podemos dizer que vivemos em uma cultura multimédia, pois computadores são multimédiais e eles estão muito presentes em nosso cotidiano, começando pelo nosso bolso, com os smartphones.

Uma das grandes dualidades dessa tecnologia é que ela possui tanto o poder de aproximar as pessoas quanto de afastá-las. Ela aproxima a partir do momento em que consegue facilitar a comunicação, permitindo até mesmo que duas ou mais pessoas consigam acionar sozinhas chamadas de vídeo em tempo real, mas notamos que com ela criou-se um universo paralelo e particular que fez com que as pessoas se afastassem na vida real, pois é comum conversas com pessoas que se distraem constantemente com notificações, ou que, mesmo estando perto, estão presas a esse mundo digital e é muito questionada essa utilização excessiva da tecnologia.

O artista brasileiro Jack Holmer propõe quebrar esses paradigmas na exposição “Ensina-me a te amar” exibida na galeria de gravura de Curitiba em 2013. Em uma das obras ele por meio da construção de robôs que abraçam as pessoas através do comando de um computador, é uma tecnologia que leva ao contato físico. O abraço do robô não está lá para substituir o humano, mas para fazer com que as pessoas reflitam sobre o afeto que estão conseguindo demonstrar em suas vidas.

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Disponível em: <http://www.jackholmer.com/?lightbox=i101596&gt;.

Outro exemplo de obra que propõe quebrar essas barreiras é “Kiss” do artista americano R. Luke Dubois , obra que analisa 50 imagens de beijos escolhidas dentre a publicação do LA “Melhores Beijos” do cinema hollywoodiano, sendo eles apresentados em quatro minutos.  Através de um programa desenvolvido por Dubois, o computador abstratiza e converte as imagens em pontos que se unirão em linhas, formando o contorno dos atores e de partes do figurino e do cenário. Criando uma rede que impulsiona o imaginário levando-nos a significar esses pontos inicialmente abstratos e a nos relembrarmos tanto do sentimento de romance quanto das cenas cinematográficas, levando-nos ao questionamento sobre a imaterialidade do amor. A trilha sonora também é autoral do artista e foi feita a partir da união de todas as trilhas das cenas escolhidas, formando uma composição de ruídos.

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Disponível em: <http://darkmattersart.com/?ha_exhibit=artist-r-luke-dubois&gt;.

As sensações  passam tanto pela visão – a partir da luz-, quanto pela audição – com os sons- e pelo tato – através da textura, no caso do robô. O que faz com que possamos considerar  a imersão como uma das principais características provocadas por essas obras, afinal você só tem a vivência total destas a partir do momento em que ocorre interação.