Entre as cinco características que entende como definidoras dos multimedia, Ken Jordan, no livro “Designing Multimedia”, propõe Integração: “a combinação de formas artísticas e tecnologia em uma forma híbrida de expressão”. Um exemplo que se encaixa nesta definição e nos faz confrontar a grande fusão entre arte e ciência é a obra “The Martian Rose”.

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The Martian Rose, Festival @rt Outsiders 2009, Maison Européenne de la Photographie

Tendo como autores Howard Boland e Laura Cinti, co-fundadores do coletivo C-Lab (formado por artistas-cientistas), a obra parte do questionamento sobre a existência de vida além Terra bem como da exposição à ambientes extremos e hostis. A peça consiste em reproduzir o que seria possuir uma rosa no ambiente do planeta Marte.  O experimento foi conduzido no Mars Simulation Laboratory da Unviersidade de Aarhis, Dinamarca, e, numa câmara de simulação planetária, a rosa esteve durante 6 horas em temperaturas abaixo dos -60°C, com a pressão equivalente a um centésimo da terra, incidência direta de raios UV e envolta em dióxido de carbono. A rosa foi exposta num contêiner de aço em suspensão inspirado em objetos de laboratório.

 

A obra, ao estender as fronteiras artísticas e culturais até a mais alta tecnologia, reflete a enorme importância de cientistas e engenheiros no desenvolvimento do multimedia. São esses os agentes responsáveis por descodificar e acessibilizar os processos de nossos aparelhos eletrônicos (hoje intrínsecos em nossas vidas), tanto em termos de forma quanto pela criação de software, que serve de intermediário entre o usuário e a tecnologia pura.

Assim como no surgimento dos novos média, que apareceram com o processador digital, no qual formas antigas foram remediadas (isto é, mudadas de meio), a rosa viaja da Terra à Marte, deixando também seu meio original. Certo é que “The Martian Rose” conduz o espectador ao encontro entre arte e ciência levado ao extremo por meio de uma simulação planetária.

Isabela Parreira