Lev Manovich, em The Language of New Media (2001), identifica a variabilidade como uma das características que distinguem os novos média dos tradicionais, desse modo referindo-se ao facto de os objetos digitais, ao contrário do que ocorre com os analógicos e em virtude de serem representações numéricas e de se organizarem segundo uma estrutura fractal, poderem dar origem a uma infinidade de diferentes versões.

A esse propósito, nota que, atualmente, as empresas exploram o perfil dos utilizadores e o seu percurso recente pelos vários sítios web de modo a publicitarem os produtos que, de acordo com os resultados dessa pesquisa, interessarão mais a cada um. Ora, essa personalização da página concorre para criar a ideia de que ela é destinada especificamente a cada utilizador. No que a este aspeto diz respeito, ainda que personalizada algoritmicamente de acordo com o registo da nossa navegação recente na internet, a página web apresenta essa configuração com fins publicitários. Efetivamente, o marketing retira especial proveito de uma certa perda de privacidade, que cedemos de forma mais ou menos consciente. E, explorando-a, o marketing pode focar-se em preparar anúncios publicitários particularmente ajustados aos mais variados perfis de utilizadores.

Por isso, ao visitarmos determinados sítios, ao entrarmos na nossa conta de correio eletrónico ou ao circularmos pelas diferentes redes sociais, deparamo-nos com anúncios publicitários que parecem ir exatamente ao encontro daquilo de que necessitamos naquele momento específico – muitas vezes, simplesmente, porque acabamos de visitar um site de compras online em que pesquisámos esse mesmo artigo que agora nos é publicitado. Assim, o propósito do marketing é potenciado: atrai a atenção dos utilizadores e atinge um público-alvo (e que melhor forma de saber identificar esse público do que ter acesso ao que cada um procura, em dado momento?).

O vídeo que se segue é exemplo disso e da crescente eficácia do marketing digital.

(Disponível em: https://youtube.com/watch?v=l_Ei7CxXwuo)

A partir daqui, creio que é ainda possível, como salienta Manovich, pensar na oposição entre a conformidade das massas na sociedade industrial e a liberdade de expressão pessoal na nossa sociedade pós-industrial, numa questão que levanta inúmeros problemas de diversas ordens. No fundo, o marketing constitui apenas uma das áreas estimuladas com o desenvolvimento dos multimédia.

Referências:

Manovich, Lev (2001). The Language of New Media. Cambridge, MA: MIT Press.

Eduardo Nunes