“A música oferece à alma uma verdadeira cultura íntima e deve fazer parte da educação do povo.” – François Guizot

Em “Defining Multimedia” (2002), Hipermédia, Integração e Interatividade são algumas palavras-chave que Ken Jordan utiliza para caracterizar os novos media. Em suma, consistem não só na reunião e integração de vários meios, como também na fusão e interação dos mesmos, através de elementos não lineares.

A música não escapou à sua incorporação no meio digital e o que começou por ser conhecido como um meio primordial e intrínseco ao ser humano, originário na pré-história através da percussão corporal e batidas com bastões, passou a ser transcrito para um dispositivo computacional, como por exemplo o Walkman (1979), o CD ROM (1985) e o MP3 (1995). Mais tarde, com o advento da Internet, por meio de plataformas online, tais como o Youtube, Spotify, Soundclound, Grooveshark e Deezer, a propagação desta forma de arte deu-se a um ritmo estonteante.

intro(Disponível em: http://martinezgarc.blogspot.pt/)

Contudo, devemos questionar-nos: até que ponto a música digital conserva a qualidade de uma música?

Muitos afirmam que se perde uma parte significativa na compactação de uma música, na medida em que certos formatos, como o MP3, comprimem demasiado as faixas de áudio que, aparentemente, não são percetíveis ao ouvido humano, mas que a longo prazo, acabam por retirar riqueza e textura à música, pois suprimem certos instrumentos e/ou camadas de música, que na realidade, fazem falta no seu conjunto.

 É, assim, um risco deixar os nossos ouvidos cair na degradação musical, não só auditiva em termos qualitativos, como quantitativos. Isto é, no mundo atual, onde existem tantas hiperligações, não devemos deixar-nos levar apenas pelas músicas comerciais, mais amplamente difundidas, mas sim, tirar proveito da multiculturalidade que a era digital nos proporciona, para investir no conhecimento de outros géneros, artistas e instrumentos. Nunca esquecendo que, a música não só reflete um aspeto económico e comercial, como também espelha a cultura de um país, região, ou população, e como tal, conhecendo determinado tipo de música, podemos estar também a conhecer o próprio contexto histórico-social desse meio físico.

Filipa Saraiva