Estudar as relações existentes entre as diferentes formas artísticas e os meios multimídia parecia uma tarefa árdua e utópica. Após algumas leituras, entretanto, pude vislumbrar um infinito de conexões e possibilidades: arte e multimídia nunca estiveram tão próximos em minha mente! Então, recorri à memória na tentativa de resgatar toda atividade artística que já tivesse presenciado para fazer ligações com os novos conceitos que aprendi sobre multimídia. Poderia citar milhares de exemplos, mas um evento recente “saltou à minha frente”.

Dia 16 de setembro de 2016, há algumas semanas, fui convidada para assistir uma peça de teatro: “Cut, Frame and Border”. Em cena, dezesseis atores compunham crônicas fragmentadas, escreviam histórias de pessoas nas paredes, interagiam com os espectadores e com televisões que transmitiam imagens de câmeras dos arredores do local onde estávamos sentados. Tudo parecia muito caótico, bagunçado e aleatório. Saí de lá confusa, cheia de perguntas.

 

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(Disponível em: http://hubpages.com/technology/Future-in-the-eyes-of-Google-Know-about-Latest-Technologies. Acesso em 04 out. 2016.)

 

Hoje, pensando sobre o que deveria escrever, recordei-me do artigo “Defining Multimedia” (2002) de Ken Jordan e, instantaneamente, comparei-o com a experiência vivenciada no espetáculo. Em seu artigo, Ken Jordan (2002) aborda cinco características essenciais aos meios multimídia: integração, interatividade, hipermídia, imersão e narratividade. Todas essas características estavam presentes em “Cut, Frame and Border”, respectivamente: as televisões com imagens de câmeras integravam artistas e tecnologia na performance; os espectadores eram incentivados a interagir com os atores; os elementos que faziam parte do cenário (tecnológicos ou não) eram utilizados e combinados de diferentes formas; o ambiente e ações inesperadas nos imergiam numa atmosfera de tensões e surpresas; a aleatoriedade e descontinuidade das cenas criavam uma não-linearidade parecida com nossos pensamentos.

Perceber as confluências entre arte e multimídia foi como uma epifania para mim: a explosão de pré-conceitos em inúmeras possibilidades que modificarão o entendimento de ambas as áreas, criando novas visões holísticas como a mente humana.

 

Referências

JORDAN, Ken. Defining Multimedia. 2002.

Informações sobre o espetáculo “Cut, Frame and Border” disponíveis em: http://www.tagv.pt/christiane-jatahy-cut-frame-and-border-estreia-nacional/. Acesso em 04 out. 2016.

 

Luana Gomyde