The new media object consists of one or more interfaces to a database of multimedia material.
– Lev Manovich

As técnicas de databending e datamoshing, usadas na produzção de arte glitch, permitem problematizar a definição de new media object de Lev Manovich. No contexto desta prática espcífica do meio digital é a unidade do ficheiro, e não uma base de dados de ficheiros, que se torna o campo para um conjunto de operações, algoritmatizadas ou manuais, de reconfiguração dessa mesma continuidade de dados. Neste sentido podíamos dizer que a arte glitch implica uma inversão do conceito de base de dados enquanto colecção de itens quando procede à intervenção directa sobre a representação numérica de um único ficheiro digital. Da mesma maneira, as operações efectuadas sobre esta base numérica problematizam o conceito de interface quando invertem a lógica do conjunto de operações programadas ou configuradas – que são diponibilizadas pela camada de software que medeia a manipulação sobre o ficheiro digital – na medida em que resultem de operações não necessariamente convencionais ou pré-determinadas.

O meio digital, se considerado na sua base de representação numérica, pode ser visto e manipulado como um todo. Neste sentido, tomando a distinção entre ficheiros como paradigma da formalização inerente à realidade digital conceptualizada por Lev Manovich – modularidade, automação, variabilidade e transcodificação cultural – e de um determinado ponto de vista, esta conceptualização adquire o caráter de catalogação e categorização de convenções operativas.