Maurice Benayoun, artista Francês pioneiro nas artes dos novos-media, cria em 1995 a obra “The Tunnel Under the Atlantic”. Este projecto consiste num túnel que através da interacção por realidade virtual, atravessa o oceano e liga o Centro Georges Pompidou em Paris e o Museu de Arte Contemporânea em Montreal.

Em cada um dos locais encontra-se uma entrada para o túnel que deve ser explorado simultaneamente por um utilizador em cada uma das suas extremidades por via de um joystick. O utilizador é incentivado a “cavar” um terreno replecto de diferentes camadas de referências iconográficas relativas a cada um dos países (França e Canadá) até finalmente se encontrarem. Os utilizadores conseguem comunicar entre si ao longo do processo o que leva a um aumento da interacção entre eles. Os indivíduos são levados também a tomar opções no caminho que seguem ( virar à esquerda ou à direita, subir ou descer) o que leva a que cada experiência seja pessoal e diferente das restantes.

O tempo estimado que demora até os dois utilizadores cruzarem o oceano e encontrarem-se é de cerca de seis dias, sendo que quem chegar a meio da experiência pode optar por seguir o caminho previamente “cavado” ou criar o seu próprio roteiro.

O qualidade desta experiência recai sobre o sucesso da utilização deste interface, ou seja na relação “utilizador – joystick – ecrã”.

Esta é uma obra hipermédia pela forma como funde diversos media numa realidade computacional, assim como é uma obra interactiva por depender directamente das decisões do seu utilizador. Foi aclamada como sendo “o primeiro vídeo-jogo metafísico”.