O Meu país é o Que o Mar Não Quer é uma peça de teatro encenada e representada por Ricardo Correia. Este espectáculo surgiu no âmbito da experiência do actor como estudante na cidade de Londres com uma bolsa oferecida pela Fundação Gulbenkian. Com um fim antecipado, Ricardo Correia voltou para Portugal, trazendo consigo uma experiência única que se transformou numa peça de teatro. Este espectáculo é uma mistura entre o teatro tradicional e o multimédia. O multimédia é usado de forma criativa, havendo especial destaque para uma câmara de filmar e um gravador.

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O actor tem um contacto directo com a câmara, já que muitas das vezes se filma a ele próprio, nomeadamente o seu rosto, que aparece em palco numa tela em grande formato. Neste sentido temos presente em palco uma dupla presença do actor, tanto física como mediada. A câmara também é direccionada à filmagem de determinados objectos, pois são importantes para completar a peça, representando a sua experiência, tanto como todos aqueles que fizeram parte dela. Esta filmagem permite ao espectador ver estes objectos através da tela, captando as suas singularidades. O uso da câmara também dá ao público a noção de espaço tridimensional, já que através do uso de imagens e da sua captação, somos levados até alguns locais da cidade de Londres. O som é usado em consonância com o multimédia na medida em que o público tem a sensação de ocupação de todos os seus sentidos.

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O gravador representa algumas das pessoas que o actor conheceu durante a sua viagem e os quais teve oportunidade de entrevistar, confidenciando-lhe as vivências numa cidade desconhecida. Apesar de nenhuma destas pessoas estar presente em palco, podemos assumir a sua experiência que está representada através da voz, que Ricardo Correia teve a oportunidade de captar. Servindo exactamente para evidenciar o factor da presença, transmitido através do multimédia e não da fisicalidade, havendo a oportunidade de recordação e transmissão de um testemunho.

Com este espectáculo vemos que o multimédia é usado de forma original, acabando por mudar por completo a peça de teatro, criando uma total interacção e proximidade com o espectador, que se mantém atento e interessado, focado no uso original dos meios multimédia.