18Cadence, de Aaaron A. Reed, trata-se de uma obra de arte multimédia extremamente interativa. O projeto consiste numa plataforma digital (a partir de um website ou de uma app para produtos Apple) que permite ao utilizador ser um fazedor de estórias. É uma viagem entre o tempo e espaço, percorrendo a história de uma casa que ardeu em 2000, mas, tendo sido construída em 1900, albergou anos e anos de história e estórias, foi o lar de famílias, soldados, banqueiros, entre outros. Cada recanto da casa 18 Cadence esconde uma estória, sonhos ou pesadelos, e esta obra de arte perpetua essas estórias, mas dando simultaneamente a oportunidade a outros de a contarem à sua maneira. A partir da interatividade da plataforma, o utilizador pode escolher se quer começar a estória no seu princípio ou fim, ou seja, se deseja começar em 1900 ou 2000 e ir para a frente ou para trás. Como exemplo, falarei da obra se se começar esta em 1900. Aí, o utilizador pode escolher contar a estória de Anna ou Tom, ou até de ambos. Como tal, tem de arrastar o excerto de texto até a meio do ecrã, uma área “limpa” onde se pode ir construindo progressivamente uma narrativa. De modo a complementá-la, o utilizador tem várias opções. Pode escolher o local da estória, deste o terraço até à cozinha e, do lado superior direito do ecrã, encontram-se pequenos pormenores da estória que podem ser acrescentados. Por exemplo, se se escolher como local a cozinha, existe a possibilidade de se acrescentar que ingredientes as personagens cozinhavam ou que pequenos objetos decorativos enfeitavam o espaço. Assim, pode ir criando a estória por vários anos e por vários locais da casa, mudando, também, as personagens, à medida que estas vão desaparecendo.

Tudo depende do utilizador, pois a estória é contada e criada por ele. E é aqui que se consegue perceber a dimensão interativa da obra. Sem o utilizador, a narrativa não existe, torna-se estática, pois é ele que a tem de criar. Esta é uma obra de arte que vive do seu utilizador. Tem uma grande capacidade imersiva, visto que nos vamos agarrando à estória, entrando numa outra dimensão à medida que se constrói o cenário muito individualmente. É, também, uma possibilidade de treinar a imaginação e até a escrita criativa. Segundo o autor, esta é uma obra que se assemelha a “magnetic fridge poetry for narrative”.