Lev Manovich afirma que, com a integração do computador na vida social, o individuo assume uma experiência estruturada sob a forma de base de dados. Deste modo, através da interação com a interface, é possível construir uma narrativa própria, que evoque um novo tipo de organização e, consequentemente, um novo tipo de olhar e atenção. Daí tornar-se comum o agrupamento de elementos em módulos, inerentes ao digital, que nos permite um melhor e mais fácil acesso aos conteúdos seleccionados perante a múltipla e variada informação integrada no mundo da Internet.

Podemos destacar temas sobre os quais recebemos informação atualizada assim que é adicionado um novo artigo, (hiper)ligado aos nossos interesses. Da mesma forma, é possível encontrar obras das quais “podemos gostar”, através da definição de um perfil virtual que nos fornece uma multiplicidade de escolhas com semelhanças aos dados com os quais interagimos diariamente. Cria-se um histórico de gosto que nos abre um caminho seleccionado mas múltiplo, cheio, possibilitando a nossa presença para essa construção de conhecimento ao mesmo tempo que satura essa atenção.

Um conceito a reflectir neste contexto é o feed – formato de dados usado em formas de comunicação com conteúdo atualizado frequentemente (definição Wikipedia). Esta função permite a atualização permanente do utilizador online. Sobre este conceito, o artista Mark Napier decidiu criar uma obra digital intitulada “FEED”, transformando os valores dos dados em tempo real numa fluente fonte de cor, permitindo representações abstractas da informação que fazem parte da Web. Para Napier, Feed não fornece informação, mas consome-a, reduz a sua estrutura, significado e conteúdo até um aglomerado de texto e pixeis, revelando o carácter ontológico da Internet num percurso que abrange a sua base de representação numérica, modulação, variabilidade e transcodificação, e chega ao utilizador numa linguagem mais acessível e intuitiva. Esta obra renova essa simplicidade, como é mencionado na sua descrição, através da substituição da experiência saturada de informação do utilizador para o prazer estético na sua recepção. Ao invés da variedade, da distração adjacente e da textualidade, FEED apresenta a homogeneidade, a contemplação e a automação ao subverter o processo digital da informação para a arte, da recepção distraída para observação sensorial.

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