Com a evolução dos tempos, dos meios artísticos e até da própria consciência popular da obra de arte, diversos conceitos dentro do universo artístico foram também alterados.

A obra de arte, reservada em tempos à nobreza e aos mais abastados, chegou agora às mãos do povo que, através das tecnologias emergentes, participa activamente tanto na sua criação como na contemplação.

Com a chamada “Arte Digital”, mais do que nunca, a obra de arte passou de um objecto de ostentação das elites para uma arma política do povo. Esta massificação da arte começa com um ponto crítico que Walter Benjamin descreve como o início da reprodutibilidade técnica.

Com os inícios da fotografia, do cinema e eventualmente da Internet, a obra de arte deixa de ser um objecto particular para ser um objecto do mundo, acessível a todos e a Internet transforma-se num hiper-museu a preço zero, disposto a receber obras não só dos grandes nomes mas até daqueles que se apresentam sem nome.

Walter Benjamin defende a aura da obra de arte como sinónimo da sua autenticidade e unicidade, apenas presente no original e perdido nas suas reproduções.

Através desta desvirtuação da aura da obra de arte, que passa de objecto único para códigos digitais com uma capacidade de reprodução ad infinitum, há uma alteração da própria função social da obra de arte. Se o valor deixa de estar no suporte físico e na sua singularidade, passa a estar na sua mensagem.

A “Arte Digital” ganha então o seu maior poder, transformando-se na voz do povo, que tem a capacidade de correr o mundo com um só click.

É a arte do povo livre, que por muito que se mantenha enclausurado pratica a liberdade das suas ideias na Internet, uma plataforma que é do mundo e para o mundo.

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