Décadas atrás era inimaginável acreditar que seria possível viajar no tempo e no espaço sem sair do lugar. O espectador estava limitado a “transportar-se” única e exclusivamente através do poder descritivo de autores literários como Camus, Hemingway, Eça, entre outros.

Com o passar dos tempos, a tecnologia sofreu um tremendo impacto e consequente evolução surgindo, dia após dia, possibilidades ilimitadas de imergir em determinados sítios, sítios estes acessíveis a uns simples cliques numa plataforma tecnológica como um computador.

Rapidamente passou a ser possível visitar pontos turísticos de referência, de certa forma inacessíveis para determinadas pessoas, sem sair de casa. Como exemplo dessas referências temos a Capela Sistina, as pirâmides do Louvre ou as obras mais aclamadas do próprio museu como a “Estátua da Vitória” ou “O Menino e o Ganso”. O “turista do futuro”, por intermédio da junção da imagem fotográfica em 360º, pode movimentar-se em total liberdade (avançar, recuar, virar à direita ou à esquerda, aproximar-se, distanciar-se não são entraves) sobre a obra, observando-a detalhadamente, sendo o tempo da sua contemplação ilimitado, ou seja, o turista pode demorar o tempo que achar necessário junto de uma obra, não correndo o risco de ter de ceder o lugar a outra pessoa ou de ser expulso do local devido a tamanha aproximação sobre a obra. (Exemplificando, esta proximidade junto da obra é um trunfo tecnológico espantoso! O turista pode mesmo chegar-se a um metro de distância do tecto da capela Sistina (sendo esta aproximação impossível numa visita em espaço físico)).

http://www.vatican.va/various/cappelle/sistina_vr/

http://www.phototravel360.com/europa/paris/museu-do-louvre-em-360-graus-paris/

Sendo o supracitado insuficiente para o ser humano, desenvolveu-se uma ideia de outra dimensão, viajar virtualmente através da nossa Galáxia. A Agência Espacial Europeia (AEE) criou uma simulação que permite viajar do centro até aos limites da Via Láctea. Uma viagem virtual que contem 100 mil milhões de estrelas.

Neste simulacro digital é possível ao “turista do futuro” começar por visitar o buraco negro, passando de seguida pelo bojo galáctico, constituído pelo grupo de estrelas mais brilhantes que orbitam na Via Láctea (tendo as mais relevantes uma pequena descrição que possibilita ao viajante ficar a conhecer o seu nome, origem e constituição), terminando no Sol. Foi possível recriar esta realidade virtual com a ajuda das imagens enviadas por satélites e naves espaciais da ESA.

http://stars.chromeexperiments.com/

Em Portugal foi desenvolvido um projecto, levado a cabo pelos estudantes da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) designado por Douro360º. Este projecto proporciona uma visita virtual pelo Património Mundial da Humanidade através de fotografias panorâmicas, com a finalidade de dar a conhecer o território a quem está longe e atrair mais turistas.

http://www.cafeportugal.pt/pages/noticias_artigo.aspx?id=6180

Duarte Covas