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As obras de arte sempre foram possíveis de reproduzir, seja manualmente ou por meios técnicos ou mecânicos. Mas para Walter Benjamin 1900 foi a data que marcou uma mudança nos processos de reprodução das obras de arte, pois passamos de uma reprodução manual para uma reprodução mecânica, que permitia a autonomização dos meios e um gradual afastamento da mão humana. Apesar da mão humana acabar por perder de certo modo a sua singularidade devido ao aparecimento destes novos processos técnicos de reprodução automática, nunca irá desaparecer por completo.

Por exemplo no caso da fotografia, a mão liberta-se pela primeira vez, no processo de reprodução de imagens, de importantes tarefas artísticas que a partir de então passaram a pertencer exclusivamente aquilo que os nossos olhos vêem através da objectiva. Mas mesmo assim é necessário recorrer à mão humana, nem que seja só para fazer o enquadramento da fotografia.  A utilização da mão humana é necessária nesta circunstância assim como noutras, apesar do processo de reprodução em si já não depender desta, mas sim dos meios automáticos.

A reprodução técnica veio acelerar os processos de reprodução, o que se tornou uma mais-valia para artes como o cinema, pois o processo de aceleração das imagens tornou-se tão rápido que foi possível acompanhar a fala. Desta forma o operador cinematográfico passou a poder fixar as imagens ao mesmo tempo que a voz do actor, conseguindo uma concordância entre elas, originando assim o cinema sonoro. Isto veio promover outras percepções perante o espectador de cinema, que acabou por desenvolver o seu sentido crítico.

Para Walter Benjamin, os processos de reprodução técnica da massificação da arte e da cultura não significa que ocorra uma perda da aura da obra de arte, para ele ao multiplicar-se a reprodução, substituiu-se a existência única da obra de arte pela sua existência em massa, continuando a existir autenticidade na obra.

Contudo, para Benjamin os processos de reprodutibilidade das obras de arte fizeram com que houvesse um aceleramento e aperfeiçoamento destas, para chegar a criação de cópias perfeitas das obras originais.

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Sílvia Santos