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Sempre que a questão da reprodutibilidade técnica da obra de arte surge em discussões no contexto de aula e se cria um debate acerca dos efeitos que esta reprodutibilidade provoca, sinto sempre que a meditação acerca dos prós e contras destes efeitos é feita de maneira a que a reprodutibilidade técnica possa ter um equilíbrio de vantagens e desvantagens, e não seja vista como algo inteiramente mau, nem inteiramente bom. Na minha opinião, isto acontece porque nunca acrescentamos um factor indispensável para podermos refletir acerca destas vantagens e desvantagens: as classes sociais.

Por esse motivo, decidi pensar na reprodutibilidade técnica das obras de artes e nas vantagens ou desvantagens tendo em conta uma determinada classe social, a classe média baixa, por ser a maior classe socioeconómica portuguesa. Esta classe é uma subdivisão da classe média e caracteriza-se por ter a capacidade de viver uma vida razoável, mas sem grandes capacidades financeiras para usufruir de momentos de lazer e entretenimento. Tendo em conta esta informação é fácil presumir que um sujeito que se encontra nesta classe social não tem capacidades para viajar pelo mundo, visitar os museus mais famosos e ver determinadas obras ao vivo. É aqui que a reprodutibilidade técnica da obra de arte surge como uma enorme vantagem para este sujeito e para esta classe social, assim como para a classe inferior a esta. Graças à Internet e a projetos como o Google Art Project, este sujeito pode conhecer e ver imensas obras de arte, mesmo que elas não sejam as originais. É claro que, não sendo as obras originais elas perdem a sua aura e a sua autenticidade, mas o que é que é mais importante e vantajoso para este espetador em específico? Ficar na ignorância e desconhecer determinadas obras simplesmente porque não tem forma de as ver como elas “devem” ser vistas, nas suas versões originais, ou puder enriquecer-se culturalmente graças à reprodução técnica dessas obras?