Em “A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica”, Walter Benjamim reflete acerca de como a arte mudou com a reprodução mecânica. As novas técnicas de reprodução criaram uma espécie de ‘fordismo’ na arte: uma reprodução serial que se estendeu às obras de arte. Este fenómeno tem como consequência a perda da unicidade e da essência da arte. Se antes, tal como afirma Walter Benjamim, a arte tinha “valor de culto”, com a era da mecanização passou a ter “valor de exposição”. “A produção artística começa com imagens a serviço da magia. O que importa, nessas imagens, é que elas existem, e não que sejam vistas” – assim, a facilidade da reprodutibilidade técnica fez com que esta situação se invertesse. As obras de arte começaram a ser produzidas para serem vistas, para estarem exibidas e disponíveis a qualquer público, não com o intuito da unicidade que advém da sua simples existência.

Este fenómeno pode levar-nos até Theodor Adorno e Max Horkheimer e ao termo por estes implementados: a Indústria Cultural. Este conceito afirma que os produtos culturais passaram a ser fabricados para um consumo de massas e determinados pelo próprio consumo, ao invés de serem construídos para o bel-prazer e realização do artista e pela essência da arte em si. A cultura costumava ser composta por expressões, de demonstrações artísticas e de ideias que contribuíam para a sociedade. No entanto, com a Indústria Cultural e, simultaneamente, com o “valor de exposição” de Walter Benjamin, a cultura tem o objetivo de vender. Muitas vezes, para poder subsistir. Outras, simplesmente porque a sociedade assim o dita.  Tal como afirmaram Adorno e Horkheimer, os produtos culturais deixaram de ter como uma das suas características serem uma mercadoria para passaram a ser somente isso. Ao estarem disponíveis e expostas a qualquer momento, as obras de arte vão se tornando comuns no quotidiano, perdendo a sua essência e história.

É importante que esta situação se inverta e que a arte não se deixe desvanecer e perder a sua essência pelo consumismo. A arte perde algum do seu valor com a exposição. Apesar de ser importante para o público, em termos de conhecimento artístico e de autorrealização, a sua unicidade vai-se perdendo com a massificação e extensão dessa exposição. E se cada obra de arte não é única, então o que passará a ser arte?

Inês Duarte