Alexandre Mury é um artista brasileiro que pega em obras de arte famosas, como “Mona Lisa” de Leonardo Da Vinci ou “O Bebedor de Absinto”, de Édouard Manet e dá-lhes novas interpretações. O objetivo do autor é atribuir novos significados a diversas obras de renome. A coleção carateriza-se pelo forte jogo de cores e chama-se “Ficções Históricas”, contando com 48 fotografias que foram recentemente colocadas em exposição. Este trabalho não é o primeiro neste registo, há artistas dos mais diversos campos artísticos a utilizar obras com notoriedade e a dar-lhes outras interpretações.

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As fotografias não têm como finalidade ser cópias das obras originais, mas  leituras alternativas. Antes de criar uma obra o autor dedica-se ao estudo da original, que pretende interpretar e decide qual a leitura que lhe quer dar. A máquina fotográfica é o meio  utilizado para captar estes trabalhos. As obras de Mury partem de uma reprodutibilidade de outras obras, no entanto criam algo completamente novo.

Segundo Walter Benjamin (“A obra de Arte na Era da sua Reprodutibilidade Técnica” – 1935), a reprodutibilidade de um objetivo artístico transforma a sua existência única numa existência em massa. A reprodução de uma obra, por muito aproximada da original nunca possui o “aqui e agora da obra de arte”, a sua existência única, por isso ela nunca pode ser autêntica.

 Cátia Cavaleiro