A compilação Catalog é uma filmagem de 1961, de um dos pioneiros do grafismo em movimento – John Whitney. Através de um computador analógico artesanal, realizou algumas peças, incluindo a filmagem em questão, a partir da vista de uma arma anti-aérea, modelo F5 característico da 2ª Guerra Mundial. Ao colaborar com Saul Bass na sequência do título para Vertigo, de Alfred Hitchcock, em 1958, o trabalho de Whitney ganhou uma maior visibilidade e consequentemente uma audiência considerável.

Para além disto, Whitney com as técnicas que desenvolveu através do seu computador analógico, conseguiu inspirar Douglas Trumbul (supervisor de efeitos visuais), no sentido de utilizar a técnica de “slit can” utilizado no filme 2001 – Uma Odisseia no Espaço.

Slit can consiste numa animação criada imagem por imagem. O seu principio baseia-se no movimento relativo da câmara em relação a uma fonte de luz, aliando-se a um longo tempo de exposição.

Para além de John Whitney existem inúmeros pioneiros neste ramo, desde Marcel Duchamp e os seus filmes com formas circulares em movimento (elemento típico do Surrealismo), a Len Lye com as suas animações gravadas frame a frame, entre outros.

Grafismo em Movimento é uma área de criação que permite combinar e manipular livremente no espaço ou tempo, camadas de imagens bidimensionais de todo o tipo, que podem ser temporizadas ou não (vídeo, grafismos, fotografias, escrita e animações), juntamente com ruídos e efeitos sonoros. Esta conceção engloba diferentes técnicas de animação e ferramentas.

No campo cinematográfico, a técnica é bastante utilizada e possibilita desde a criação de vinhetas até à inclusão de efeitos no pós-produção.

No caso deste vídeo, podemos dizer que se prende a experiências visuais e sonoras, que pretendem jogar com a nossa perceção de modo a encher a nossa existência sensorial de emoções, através da interação de formas aqui representadas. Há um movimento constante por toda a peça, em que cada elemento parece transformar-se num outro elemento diferente. As cores aqui presentes são a parte estética mais apelativa ao espectador, que vão variando ao longo da peça desde cores mais brilhantes, a cores mais néon, que transmitem um sentido mais pop que sobressai no fundo escuro. Este movimento suave das formas, alia-se ainda, a sons que também se estendem desde melodias mais metálicas/ cortantes, até melodias mais eletrónicas.

Posto isto, é importante salientar que todas as artes têm o seu meio (singularidade) e é isso que as distingue, enquanto material de expressão e modos de perceção aliados a uma multiplicidade de materiais e técnicas – que podem variar desde camadas visuais, a camada poéticas, camadas musicais e até mesmo camadas de iluminação. Ou seja, numa obra Multimédia existe sempre a interceção de duas ou mais linguagens que favorecem a troca de meios de representação.

Marina Reis