“Orwell only emphasized the negative part, the one-way communication, I see video not as a dictatorial medium, but as a liberating one. That’s what this show is about, to be a symbol for how satellite television can cross international borders and bridge enormous cultural gaps.” – Nam June Paik

Em 1948 George Orwell escreve “1984”, uma história futurista que descrevia uma sociedade dominada pelos media onde a televisão era apenas um instrumento de controlo.

Como resposta à visão do escritor, Nam June Paik estreia no dia 1 de Janeiro de 1984 “Good Morning Mr. Orwell”, uma transmissão via satélite que promove o intercâmbio cultural e que pretende demonstrar todas as potencialidades do meio que Orwell condenava.

Esta transmissão televisiva “avant-garde” uniu o WNET TV em Nova Iorque com o Center Pompidou em Paris, sendo também difundido em países como a Alemanha e a Coreia do Sul e reunindo uma audiência de cerca de 25 milhões de pessoas.

A transmissão consistia numa colagem de segmentos ao vivo com material previamente gravado unido por gráficos computacionais da autoria de Paik.

O programa foi apresentado por George Plimpton e contou com diversas participações de artistas de renome como Allen Ginsberg, John Cage (que fez uma produção musical que consistia em raspar penas em cactos secos), Charlotte Moorman (que recriou a obra de Paik TV Cello), Laurie Anderson, Peter Gabriel, Phillip Glass, Merce Cunningham, Joseph Beuys, Salvador Dali, entre outros.

Ao longo da emissão ocorreram diversos problemas técnicos com os satélites o que resultou em diferentes versões do programa de país para país, mas Paik alegou que isso apenas reforçou a ideia de “arte em directo”.

Conhecido como o pioneiro da Video Arte, Nam June Paik provou uma vez mais com esta instalação a multidisciplinariedade dos meios artísticos e a consolidação e reconhecimento da arte multimédia.