A relação entre arte e multimédia tem sido persistente ao longo dos anos, mas foi durante o século XX e XXI que se tem vindo a tornar predominante. Falarei do teatro radiofónico, uma integração do multimédia com a arte, através do teatro e da rádio. Com especial foco na obra “Felizmente há Luar” de Luís Sttau Monteiro, para exemplificar a forma como o teatro radiofónico provoca imersão e uma capacidade integradora no ouvinte.

A peça é composta por características radiofónicas e teatrais que conseguimos perfeitamente distinguir. Em relação à rádio temos uma voz objectiva que nos dá a informação mais importante, como se fosse uma folha de sala teatral, que nos permite o esclarecimento necessário para o envolvimento com a peça.

No entanto as características que têm especial enfoque são as teatrais. A peça é composta por uma banda sonora dramática, que é escolhida propositadamente. Começando desde logo a envolver o ouvinte que se imagina num cenário dramático, permanecendo assim atento e numa durável identificação com o drama. Existe um quase total envolvimento com o espaço, pois há a preocupação de oferecer ao ouvinte a noção de espaço através do uso de som e de eco, mas também sons externos como é o caso de sinos, do ruído da multidão e da chama da fogueira. Desta forma permite que o ouvinte se envolva e crie um cenário mentalmente.

A entoação das vozes dos actores é um dos aspectos mais determinantes, regendo-se por determinadas convenções que acabam por ser as adequadas, como o uso de determinado tipo de entoação para dar importância a determinada personagem ou a determinado tipo de acontecimento. Os actores têm apenas acesso à sua voz para cativar o ouvinte, todo o resto do corpo é anulado. A voz tem que falar em substituição do gesto. É esta voz que transmite sentimento e que enquadra o ouvinte na peça.

O teatro radiofónico,  apesar da sua prática antiga consegue criar um espaço que apenas pertence ao ouvinte, e que acaba por ocupar os seus sentidos, nomeadamente a visão e a audição. O ouvinte ouve para assim conseguir imaginar um cenário que de certa forma só a ele lhe pertence, mas que acaba por ser o complemento essencial para a integração na peça.