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Remediação é um conceito introduzido por Jay Bolter e Richard Grusin na obra Remediation: Understanding New Media (1999). Definimo-lo enquanto um processo de transformação e conservação do conteúdo de um meio representado noutro meio. Segundo Bolter e Grusin, esta é uma lógica através da qual os novos média derivam, transformam e coexistem com os média anteriores, analisada através de relações formais entre diferentes média e relações de poder e prestígio cultural. Desta forma, são criadas várias dinâmicas em vários sentidos neste processo, nomeadamente na representação do meio como também no contexto social.

O exemplo que vou utilizar para ilustrar este conceito é o teatro radiofónico, objeto de estudo da apresentação oral efetuada na aula de 25 de Março. Para além de ser considerado precursor da arte e multimédia, o teatro radiofónico é também um exemplo de remediação, características unidas pela integração.  Ao incorporar o teatro, a rádio vai sofrer uma transformação no seu conteúdo, e vice-versa, numa coexistência que surge num contexto em que a rádio tinha uma forte influência social, um meio popular por excelência, um poder que interessava a um teatro muitas vezes considerado um extra quotidiano, uma prática cultural visionada apenas por uma parte da população. Para que o teatro usufrua da capacidade comunicativa da rádio enquanto possibilita o enriquecimento cultural do meio, o seu conteúdo será remediado e representado através da linguagem da rádio e os seus limites impostos. O resultado é uma exploração da componente sonora teatral, com novas possibilidades estéticas adequadas à rádio, procurando apagar a diferença entre estas linguagens, através, por exemplo, da inclusão da música – necessária à expressão teatral e própria do meio radiofónico – perante a duração longa de uma peça de teatro ao vivo e a duração de uma peça radiofónica e a sua divisão em blocos. Desta forma, surge uma nova forma de teatro, focada essencialmente numa performance vocal que exclui a imagem mas oferece um novo tipo de experiência ao espectador, imerso na ilusão teatral através da audição. Gera-se assim mais uma forma artística através remediação, um processo que pode ser incluído na história da arte e multimédia devido ao seu contributo proporcionado pela integração.