Friedrich Kittler, enquanto teórico dos média e da sua evolução, desenvolveu uma série de pressupostos sobre a relação histórica entre a arte (que assenta numa inscrição simbólica) e os média (que assentam numa inscrição físico-química do real). Para além de afirmar que os sujeitos dos média são os próprios média ou que os média são modelos privilegiados do ser humano, Kittler enuncia e argumenta sobre a relação entre a tecnologia moderna e a guerra moderna ao passo que expõe a finalidade e a origem dos média tecnológicos, inicialmente, no campo militar.

Como exemplo de esta finalidade militar, que desde cedo foi atribuída a alguns médias tecnológicos, temos a construção da máquina Colossus. No início da 2ª Guerra Mundial, Alan Turing foi recrutado para a Escola de Códigos e Criptogramas dos serviços secretos ingleses onde uma equipa tinha sido incumbida de decifrar mensagens radio do exército nazi que eram gerados por uma máquina de codificação, conhecida como Enigma, que gerava mensagens em códigos indecifráveis. Alan Turing e os seus colegas elaboraram um precursor dos computadores digitais, Colossus, uma máquina enorme que usava 1.500  válvulas eletrónicas para conseguir processar cerca de 5.000 caracteres por segundo, à procura de quaisquer regularidades, traços recorrentes ou combinações que pudessem ser decifradas para determinar o futuro da guerra. Colossus é considerada a percursora do computador digital eletrónico que nós, hoje em dia, usamos regularmente mas de um modo desaprendido da sua primeira finalidade.

Assim sendo, podemos considerar Turing o pai do computador e Colossus um exemplo de como os media que usamos de forma utilitária tiveram uma criação para fins de guerra, tal como podemos observar nos pressupostos de Kittler.

Ana Sofia Simões Nascimento