Acácio Nobre@João Gonçalves (8)

“Artista” tem sido ao longo dos séculos uma definição com parâmetros múltiplos que dificilmente algum dia se hão-de fixar. A arte deixou de ser vinculada a uma função utilitária – lógica da “arte pela arte” – mas parece estar a pôr ao seu serviço a própria tecnologia. Mas estaremos a falar de serviço utilitários ou na máquina enquanto objeto capaz de criar obra de arte com a devida inteligência artificial? George Landow defende que “a hipermédia representa o fim da era de autoria individual“. O que representará isto para o homem ou para o próprio desenvolvimento tecnológico?

As tecnologias estabelecem com o homem não só uma relação com o corpo mas mais fortemente com a sua capacidade criativa. (Entendo que o desenvolvimento tecnológico é resultado da capacidade criativa do homem enquanto ‘senhor da Natureza’)

Atualmente, existem inúmeros fenómenos artísticos que criam relações com as novas tecnologias, possibilitando observar modificações não só na própria arte como também nas fronteiras que se estabelecem entre o ser humano e a máquina. São estas mesmas modificações nessas fronteiras que nos fazem procurar cada vez mais a tecnologia como possibilidade para a ‘linguagem artística’. A relação entre arte e tecnologia emana, em certa medida, como tendência crescente e merecedora de análise, construída pelas expectativas do nosso tempo, pelas possibilidades tecnológicas existentes e pelo valor positivo assumido pela mesma hoje.

É importante ressaltar que o facto de possuirmos uma consciência apurada sobre a nossa existência e as nossas capacidades; sermos capazes de ter técnicas e tecnologias eficazes na ‘administração’ do mundo em que vivemos, não é predicativo da nossa superioridade como espécie, mas sim um alerta sobre as nossas responsabilidades como seres cientes que governam as leis e limites da criação.

O artista continua a ser o criador e a tecnologia a sua possível extensão, mas por mais quanto tempo?

[A título de curiosidade:]

                Cristiana Almeida Rosa