Entender a evolução dos media significa atender a um princípio de convergência entre a realidade e aquilo que é realmente reproduzido pelos media, tal como nos apresenta Kittler. Desta forma, os media tentam aproximar-se o mais possível do real para nos transmitirem isso mesmo – mas como o fazem? Esta tentativa de proximidade dá-se pela procura de parecença com os nossos orgãos sensoriais, o que não se verifica nas artes tradicionais, porque reproduzem ilusões e ficções. Os media tecnológicos, sejam eles o cinema ou a fotografia reproduzem simulações do real.

Desta forma, podemos equiparar a inscrição física do real a uma simulação do “real” e o melhor exemplo que podemos utilizar é o do cinema 3D, uma vez que os sentidos humanos são reproduzíveis. Neste exemplo em concreto, podemos constatar que o cinema 3D nos transporta de tal forma para outra dimensão que, durante breves momento, achamos que estamos realmente a viver aquela cena cinematográfica. Isto é, num filme a três dimensões, temos tendência para nos defendermos dos objetos, como se eles nos estivessem a atingir diretamente a nós próprios.

O que se tem verificado atualmente é que a constante procura pela inscrição física do real e pela arte tecnológica tem-se retratado na forma como as diferentes tecnologias evoluem em função de atingir a reprodução real do “real”. Exemplo disto é o facto de as televisões também se estarem a adaptar a este modelo a três dimensões, para que os espectadores possam usufruir da inscrição física do real.