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Marshall McLuhan defende no seu livro The Medium is the Massage: An Inventory of Effects (1967) a ideia de que os média são extensões dos homens, dos seus sentidos, mentes e corpos. Se observamos alguns exemplos como a fotografia ou o cinema, percebemos que funcionam como extensão dos nossos olhos, da nossa visão. Se por outro lado olharmos para uma gravação áudio, compreendemos que está ali presente uma extensão da nossa audição.

O que eu pretendo fazer agora é olhar para um meio de comunicação que aglomera vários média: o smarthphone. Neste aparelho tecnológico do século XXI estão presentes vários média como a fotografia, o vídeo, o som, a escrita, etc. É claro que já era possível encontrarmos isto noutros telemóveis, contudo, a qualidade que eles apresentavam ficava muito aquém daquilo que nos é oferecido por tantas marcas de smarthphones hoje em dia. Essa qualidade é tão elevada que chega a rivalizar com empresas que se dedicam única e exclusivamente a criar aparelhos com uma única função (ex: Canon e Nikon – Máquinas Fotográficas).

Os exemplos que eu trago para analisar são os novos smartphones da Samsung: Samsung Galaxy S6 e Samsung Galaxy S6 edge.
Neste vídeo temos uma apresentação geral dos dois smartphones, demonstrando as diversas funcionalidades de cada um, assim com a capacidade e o nível dessas mesmas funcionalidades. Temos, por exemplo, um ecrã com alta definição, duas câmaras fotográficas com 16 MP e 5 MP respetivamente, uma gravação vídeo em HD e até a possibilidade de pagar contas com o cartão de crédito através do telemóvel.

Aparelhos como este comprovam realmente aquilo que McLuhan afirmou há quase 50 anos atrás, e chegam até a reforçar a sua ideia. Contudo, por muitos aspetos positivos que tenha não consigo deixar de pensar na ideia defendida por Friedrich Kittler no seu livro Optical Media: os média são autónomos e criam uma situação em que nós, humanos, vivemos dependentes deles. É praticamente impossível discordar com uma ideia destas quando vemos uma sociedade cada vez mais viciada e dependente de aparelhos como o smarthphone. Isto não me espanta de maneira nenhuma pois a cada ano as marcas conseguem melhorar estes aparelhos de tal modo que fazem passar a ideia de que ninguém conseguirá viver sem eles.

De momento, os sentidos humanos que aparelhos como os smarthphones conseguem simular e ser extensão dos mesmos resumem-se à visão e à audição. Porém já existem previsões de que nos próximos anos estes aparelhos conseguirão ser uma extensão do tacto, na medida em que o utilizador poderá sentir várias texturas conforme as imagens que vê no telemóvel. Depois disto só falta realmente serem extensões do olfato e do paladar e conseguirem uma extensão completa dos sentidos humanos.

Filipa Machado