Epistemologicamente, perspetiva significa “ver através de”. A sua utilização remonta à Grécia antiga mas, no entanto, a perspetiva geométrica e as suas leis só foram instauradas na Época Renascentista. O seu objetivo era simples: criar uma ilusão da realidade, permitindo que o observador se transforme no ponto para qual todo o quadro converge. A perspetiva possibilitou a criação de quadros mais fiéis à realidade, à visão do olho humano. Permitiu ultrapassar vários problemas que impediam a representação da realidade almejada por diversos artistas.

No entanto, muitos foram os artistas que, após a instauração da perspetiva, quebraram algumas leis da mesma através dos seus trabalhos. Maurits Cornelis Escher, artista holandês, foi um deles.

relatividade Relatividade, 1953

Com as suas obras que distorciam a realidade, Escher brincava com o facto de ter de reproduzir um espaço tridimensional numa folha de papel, um espaço bidimensional.

Na obra “Queda d’ Água” é possível observar ilusões visuais que baralham o cérebro. Sendo um órgão que está habituado a certas convenções visuais, obras como as de Escher causam confusão e estranheza ao primeiro olhar. Não existe a perspetiva convencional nem uma representação da realidade a que os renascentistas habituaram o público. Segundo o artista, as suas obras representavam o “pensamento visual”, ou seja, o que a sua imaginação lhe proporcionava acerca da realidade.

quedadagua Queda d’ Água, 1961

“O nosso espaço tridimensional é a única realidade que conhecemos. A bidimensionalidade é tão fictícia como a tetradimensionalidade, porque nada é plano, nem mesmo o espelho mais polido. Mas mesmo que partamos do princípio de que uma parede ou uma folha de papel é plana, não deixa de ser estranho que nós, como se desde sempre fosse a coisa mais normal do mundo, representemos ilusões de espaço sobre uma tal superfície. Não é muitas vezes absurdo desenhar meia dúzia de linhas e depois afirmar: Isto é uma casa?” (Escher, 1994, p.15 in “Gravuras e Desenhos”)

Inês Duarte