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O cinema principiou com a saída dos trabalhadores da fábrica dos Lumière em 1895. Ao exibirem o filme, os espectadores foram mergulhados sensorialmente na película de uma só maneira – visualmente. Por outras palavras, no final do século XIX, início do século XX, todos aqueles que tinham a possibilidade de visionar um filme, não passava disso mesmo… Examinavam o filme unicamente através do olhar, nenhum outro sentido era estimulado, o espectador encontrava-se atento apenas e só pela novidade.

Foi preciso esperar certa de três décadas para que “O Cantor de Jazz” unisse a imagem ao som (voz) de forma síncrona, tornando não só o cinema como uma arte multimédia mas igualmente como uma arte multissensorial. Com isto, o espectador acabou por progredir de igual forma pois, a partir deste momento, ele passou a compreender o filme, não só pela visão, como anteriormente, mas também por intermédio da audição.

Anos mais tarde, o cinema voltou a sofrer um novo desenvolvimento com o chegada do 3D – tecnologia que possibilita recriar a realidade em três dimensões, sendo possível aos cineastas enganar o olhar do espectador de uma maneira mais real, através de ilusões de óptica. Com esta tridimensionalidade, para além de estimular os dois sentidos supracitados, o 3D trás consigo o fenómeno de “estereoscopia”, isto é, trata-se da projecção de duas imagens, da mesma cena, em pontos de observação ligeiramente distintos. Aqui, o cérebro humano acaba por fundir automaticamente as duas imagens numa só. É neste processo que obtemos informações quanto à profundidade, distância, posição e tamanho dos objectos, produzido pela ilusão óptica.

Por fim, o aparecimento do 4D é, até à data, o sistema mais multissensorial que existe. Não só estimula a visão e a audição, como engloba mais dois sentidos da máquina humana, o olfacto e o tacto, através da utilização de esguichos de água e do movimento da própria cadeira.

Uma das conclusões que não podemos deixar de retirar é que esta evolução teve o objectivo de desafiar o espectador por inteiro.

O avanço desta multissensorialidade trouxe uma nova maneira de imergir o espectador no mundo cinematográfico, sendo esta imersão cada vez mais profunda na medida em que o espectador utiliza um maior número de sentidos.

Duarte Covas