É interessante perceber que as palavras de Wagner em 1851 ainda podem ser discutidas no seio da atualidade. A obra de arte total, aclamada e esperada pelo autor, não está presente nos dias de hoje tal como proclamado no seu ensaio. Isto ressalva ainda mais a característica utópica desta tese: tal como a sociedade sem classes, não é possível verificar a existência de ambas as ideias na realidade.

Uma obra de arte que englobe todas as artes pode, no entanto, estar perto daquilo que é hoje a arte multimédia. Ou seja, uma obra de arte que conjugue, em simultâneo, diversos tipos de arte. Este fenómeno pode ser comparado com um outro mas na área do jornalismo: o backpack journalist. Neste tipo de jornalismo emergente, o profissional tem de convergir em si os mais diversos ofícios. Tem de ser capaz de escrever, fotografar, trabalhar em multimédia, editar (texto, áudio e vídeo) e trabalhar com vídeo. Isto acontece, principalmente, pela emergência do jornalismo multimédia, cada vez mais presente e importante atualmente.

Wagner previa que, no futuro que é a nossa atualidade, existissem obras de arte que integrassem todas as artes. Contudo, isso não se verificou mas a mesma ideologia pode ser transportada para o jornalismo. Atualmente, é requerido aos jornalistas que tenham a capacidade de serem multitasking. Assim, é um fenómeno que se assemelha bastante à convergência das obras de arte de Wagner. É importante perceber, no entanto, que uma obra de arte total seria uma ideia magnífica desde que bem trabalhada. O backpack journalism pode, porém, causar o desaparecimento do jornalismo convencional e transformar os profissionais em seres automatizados e exaustos pela quantidade de tarefas que lhes são requeridas. Estas são duas tentativas de convergência de vários meios e de várias artes que podem, ou não, resultar. A ideia tem, todavia, a mesma base: criar uma totalidade que englobe o todo das duas áreas.

Inês Duarte