O cérebro é a “máquina” central que permite o funcionamento de todas as atividades do Homem. Este tem a capacidade de se auto educar, descodificando os vários estímulos provenientes do ambiente que o abrange, como do próprio organismo. Assim, evolui e aprende a viver consoante as suas próprias experiencias como percepções, definindo cada imagem, som, cheiro, toque e sabor, onde com uma capacidade extraordinária, consegue relacionar e comparar os vários estímulos. Segundo António Damásio, toda a captação como processo destes estímulos, são definidos juntamente com as emoções. Estas que se encontram numa parte mais profunda do cérebro. Isto dá-se devido á consciência que o Homem acarreta como forma de conhecimento do eu. O que lhe permite a sua afirmação como aceitação do mesmo como uma identidade.

“A consciência, no seu plano mais simples e básico, permite-nos reconhecer o impulso irresistível para conservar a vida e desenvolver um interesse por si mesmo. A consciência, no seu plano mais complexo e elaborado, ajuda-nos a desenvolver um interesse por outros si mesmos e a cultivar a arte de viver.” António Damásio

Só assim a sua percepção estética que é processada pela mente juntamente com as emoções, poderá ser projetada, manifestando-se tanto numa forma abstrata como física. Um dos frutos deste processo é a arte, esta que ganha corpo com a modulação dos estímulos feita pelo cérebro. Expressa-se assim livremente, criando novos estímulos. Método que proporciona um ciclo evolutivo entre criador e criação.

“… o eu é a nossa única forma natural de aprender a mente…” António Damásio.

A incansável necessidade humana de criar como perceber o porquê das coisas, fez com que o Homem tivesse a audácia de tentar “mimicar” o seu próprio cérebro. Com o uso da tecnologia o Homem possibilitou a sua própria extensão, tanto a nível individual como colectivo, proporcionando assim novas comodidades em vários aspectos da sua existência. Com a aceitação das suas criações, este possibilita uma nova forma de criar, o que quase se pode definir como arte totalitária pensada por Richard Wagner em “a obra de arte do futuro”. Arte definida por um sincretismo das várias artes, que segundo Wagner, fornecia uma maior liberdade como conhecimento do eu.

“O homem artista só pode satisfazer-se perfeitamente na união de todas as modalidades artísticas na obra de arte colectiva: no isolamento de uma das suas capacidades artísticas será não-livre, será não inteiramente aquilo que pode ser; pelo contrário, na obra de arte colectiva será livre e será inteiramente aquilo que poderá ser”  Richard Wagner, a Obra de Arte do Futuro, 1849

O Homem tem vindo a usufruir da tecnologia como um aprimoramento da sua identidade. Atualmente, a utilização como evolução da tecnologia, leva-nos cada vez mais perto à idealização da arte do futuro de Wagner. Será esta a verdadeira e ultima forma da arte? Ou será apenas um novo ponto de partida para o Homem?

Gabriel Salgado