Toda a obra de arte é filha do seu tempo e, muitas vezes, mãe dos nossos sentimentos. Kandinsky

O nosso momento histórico é vivido numa fase em que sentimos que o mundo está a transformar-se numa meta-experiência em que cada encontro pessoal – com amigos por exemplo – é apreciado em parte por estar lá e, em parte, por poder estar conectado ao mundo através de redes sociais.

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A tecnologia tornou-se num mecanismo extensivo da nossa existência humana. Sem ela não vivemos, sem nós ela não vive. Pode ser uma visão errada mas sem o controlo humano a tecnologia é inútil; foi criada por nós e para nós unicamente.

A exploração dos meios levada a cabo no século XIX conduziu (de forma inocente) a arte ao desenvolvimento que nos chega hoje, nomeadamente a arte multimédia. Esta exploração teve efeitos extensivos em termos de relação da arte com os média.

O fio condutor da nossa relação com a tecnologia e com o mundo são os nossos sentidos e as nossas emoções.

A história da tecnologia começou por ser a história da junção de ferramentas e técnicas úteis que permitissem a melhoria das práticas da altura, nomeadamente práticas militares. No entanto, hoje em dia, é um meio visto de forma integrada na cultura de uma sociedade.

Em termos artísticos, que é o que nos interessa agora, esta “nova forma de vida” tem tornado a distinção entre arte e média pouco percetível.

Há perguntas que se deixam ficar no ar… Terão os média se tornado no ‘material de expressão’ das disciplinas artísticas? Poderá também a arte – futuramente – ficar ela própria imersiva dentro da tecnologia? Continuará o ser humano a ter um papel fundamental em ambos os meios, determinado está que os estudos e desenvolvimentos se focam cada vez mais no virtual do que no humano?

Cristiana A. Rosa