A Arte enquanto conceito pode ser considerada como uma matéria de expressão e perceção, traduzindo-se quer por vias técnicas, quer por vias materiais com o propósito de gerar interatividade. Isto porque, se trata de um âmbito essencialmente simbólico que pretende despoletar no público reações ou emoções que se relacionem com o conteúdo da própria obra – (ex. a pintura, escultura, arquitetura). Aqui o criador dispõe de um leque de recursos tanto a nível de materiais, como de objetos e sobretudo técnicas que lhe possibilitam transmitir aquilo que numa primeira instância terá apenas idealizado. Assim é – lhe conferida a liberdade de expressar o seu pensamento de um modo particular, sem as limitações do “real”, uma vez que se trata de uma representação de uma determinada quimera artística.

No que toca ao âmbito da Multimédia é importante salientar a integração dos media, onde convergem práticas de comunicação e práticas contemporâneas fundadas em componentes históricas, dado que se gere por um processo evolutivo. Este meio tem um caráter proveniente de uma natureza técnica que favorece a troca de meios de representação, reprodução e transmissão. Posto isto, o meio digital tem uma maior capacidade de recombinação, uma vez que, o próprio computador, enquanto infraestrutura tecnológica é capaz de fundir a componente artística com meios tecnológicos. Ao contrário da Arte, a inscrição do conceito Multimédia dá-se a um nível físico, com base em novos processos eletromagnéticos de emissão e receção. A partir destas novas tecnologias deu-se uma evolução que culminou numa miscelânea de artes, com o propósito de despertar a nossa existência sensorial no que toca às emoções e reações do nosso corpo.

Posto isto, podemos dizer que a dicotomia Artes e Media está alicerçada numa relação de proximidade entre os dois conceitos. Ou seja, apesar de distintos, estes dois conceitos chegam a complementar-se. Neste ponto de relação é possível fazer uma ponte com a obra Itenerário do Sal de Miguel Azguime. Esta obra prende-se com a componente interdisciplinar de Arte Digital de Performance, uma vez que integra modalidades como o teatro, música e vídeo. O conceito referido, surgiu através de um grande processo de experimentação computacional em prol da arte da representação, o que incorpora ao vivo a componente digital juntamente com danças, teatro, etc. Ou seja, a chamada performance interativa.

Por sua vez, a obra Itinerário do Sal é a materialização do pensamento do poeta, onde se perpetua a voz como extensão corporal. É aqui representado o itinerário interior do autor, enquanto artista na plenitude das suas capacidades, onde se combina escrita poética e musical, mas também uma dramaturgia visual que nos remete a uma multiplicidade de sensações.

Enquanto Ópera Eletroacústica, há uma intenção de combinar o conhecimento do artista com os vários percursos que se traduzem na dita evolução do ser, daí a alusão a diversos estados de mente que correspondem a diferentes modalidades tecnológicas ou manuais.

Para além desta obra de Miguel Azguime, existem inúmeros projetos de Arte Digital e Performance.

Exemplo disso é a obra HAKANAI de Arien M. Uma coreografia representada apenas por um bailarino que se move em harmonia com a projeção de diversas imagens em movimento, de modo a que se traduza o que é o ser humano e qual a designação de um sonho.