“We cannot think without language, we cannot process experience without story.”
Christina Baldwin

O acto de contar histórias é uma das mais antigas formas de comunicação independentemente da circunstância espacio-temporal, cujas finalidades de produzir conhecimento, proporcionar lazer e conservar a memória como antídoto ao esquecimento continuam a predominar as criações artísticas e tecnológicas da contemporaneidade.
Num mundo cada vez mais visual em que a experiência estética conhece uma ramificação na panóplia digital que povoa o nosso quotidiano, contar histórias transforma-se gradualmente num sinónimo de partilhar imagens e fotografias através de redes sociais como o Instagram e o Facebook à distância de um clique. Na banalização massificada destas acções instantâneas a construção de um repertório audiovisual sob a égide de um príncipio lógico narrativo sequencial torna-se imprescíndivel. À semelhança de outras aplicações como o Animoto e o Magisto, a Storehouse (apenas disponível em iPad, iPhone ou na Web) conjuga as funções dos media tradicionais como a fotografia, a escrita (materializada na adição de títulos, legendas ou citações), o vídeo e a gravação de som. Contudo, a grande particularidade desta aplicação é a forma pragmática de como organiza qualquer episódio quotidiano retratado através de uma sequência narrativa verticalmente composta e imersiva como um fio condutor de sentidos e ideias. Diametralmente oposta a uma avalanche de informação, a forma narrativa da Storehouse sublinha a necessidade de orquestrar as experiências do real.
Como aplicação multimédia com uma remota preocupação artística subjacente à organização do conhecimento sensorial, a Storehouse envolve o tacto, a visão e a audição na manipulação dos documentos seleccionados com o objectivo de criar um arquivo digital de eventos. O efeito imersivo decorre da reconstrução e revisitação dessas memórias audiovisuais. Cada memória é uma experiência insubstituível. Para cada uma o Storehouse cria um código único partilhável. Outro factor que aproxima a Storehouse de um paralelismo com o real é o facto das histórias serem criadas sem margem de manobra para alterações: não existe a possibilidade de editar fotos (para além da redimensão) nem incluir outros elementos sonoros às histórias já publicadas. É através deste ritual social de contar e partilhar que se afirma o rasto da nossa etérea presença no mundo cujo futuro se afigura pela quase ausência de documentos físicos. A construção da História nestes parâmetros é uma das preocupações dominantes do historiador britânico Antony Beevor.