Foi em 2008 que a Academia GT surgiu. Academia por ser uma escola; GT por causa de Gran Turismo, a série de videojogos para Playstation que simula a experiência de conduzir automóveis. Pode admitir-se que o projeto era uma “ideia louca”, mesmo para aquele tempo, mas não uma ideia completamente descabida. Talvez seja melhor classificá-la de “ideia arriscada”, ou “desafiadora”, já que a loucura inicialmente prevista não se revelou quando a ideia foi posta em prática – bem pelo contrário.

A Academia GT quis testar a capacidade de condução dos jogadores de Gran Turismo no ambiente real que o videojogo simula: corridas de automóveis em alta velocidade. O resultado foi tão surpreendente como sintomático. Por um lado, os condutores virtuais adaptaram-se facilmente à estrada real em alta velocidade, e não só correram com pilotos profissionais, experientes, como também foram bons o suficiente para os vencer. Por outro, é fácil perceber que essa adaptação é cada vez menos espantosa por causa do elevado grau de simulação da condução virtual.

É claro que não bastou aos jogadores a experiência virtual para passar à pista real, e é justamente para lhes ensinar todo o resto que há para saber sobre condução a alta velocidade que serve a Academia. Conduzir no jogo e na pista real são duas situações bem diferentes… mas quanto? É curioso ver como o sucesso da condução virtual corresponde ao sucesso da condução real. Até que ponto aprenderam os jogadores a dominar a adrenalina, o medo, o nervosismo da situação simulada na própria simulação? Talvez não consigamos medir isso, mas conseguimos concluir que as simulações virtuais estão cada vez mais realistas. Note-se que os jogadores de Gran Turismo, por mais experiência de condução real que tivessem, não corriam em pista de alta velocidade por hábito. O mais provável é mesmo nunca terem conduzido assim na vida real, mas isso não os impediu de se tornarem pilotos vencedores nas corridas mais desafiantes no mundo de asfalto. A aptidão para a condução pode ser-lhes inata, mas será que se teriam adaptado tão bem à pista se nunca tivessem jogado?

Ricardo Almeida