conectividade

Nosso corpo é um repositório de todas nossa experiências, é nele e através dele que nos comunicamos verdadeiramente, não há verbalização que esconda-nos,  por mais explícito que seja, somos inconscientes da potência dele que por muitas vezes ancorâmo-nos em nossas palavras. Como relacionar o termo multimédia a partir das relações intrínsecas do ser humano? Como entender o mundo se conectar aos outros se somos incapazes de entender-nos?

 Podemos observa-lhes o corpo e o que fazem, dizem ou escrevem, e podemos opinar com algum conhecimento quanto àquilo em que estarão a pensar. No entanto, não podemos observa-lhes a mente e apenas nós próprios somos capazes de observar a próxima, a partir do interior e através de uma janela bem estreita. (DAMÁSIO, Antônio. ” O livro da Consciência: a construção do cérebro consciente”. Ed: Cícrculo de leitores.  Pág 20. Edição 1º. Setembro de 2010).

Para Damásio (1944)  independente da clareza ou ordem os conteúdos originados em nossa mente está ligado nós próprios, funcionam como fios invisíveis reunindo esses conteúdos em constante movimento que traduzem o que chamamos de eu, o que o corpo experiencia através da sua corporeidade captando as mensagens externas como a representação de objectos e acontecimentos do mundo ou até do próprio corpo, no sentido objectivo, gerando um mapeamento no cérebro que coordenam imagens e é essencial para a construção do eu, da subjectividade.

As imagens resultantes descrevem um objecto ao interagir consigo e este tem poder de modificá-lo incluindo seus sentimentos, a sua percepção sobre ele. Por exemplo, um visitante acciona uma série de imagens numa página na Internet revelando imagens e fragmentos de um texto. Apesar dos elementos nunca mudarem, a forma como a história se revelará dependerá das próprias intervenções de cada pessoa, da interacção dela com  o objecto. Além disso dependerá também da disponibilidade de conectividade que este individuo tiver para criar uma dramaturgia própria.

No caso de um espectáculo a interacção e conectividade dependerá das ferramentas utilizadas pela obra, podendo ser causado por uma música, um objecto cénico ou qualquer outro meio que possibilite a transmissão do conteúdo. Assim a consciência do indivíduo se dará pela experiência de viver activamente aquele momento, organizará as experiências vivas, que lhe marcam sob a forma de imagens na perspectiva em que é  activo.

É reunindo as imagens que o indivíduo têm em si, memórias de outras experiências que soma com que as lhe são proporcionadas durante uma apresentação artística é que sua mente vai organizando-se, resultando numa subjectividade tornando os conteúdos em si cada vez mais enriquecedores e o indivíduo cada vez mais consciente.

Por isso estar consciente, conectado, é estar sensível a tudo ou a quase tudo. Geralmente nós homens portamos-nos como máquinas, programados a certos comportamentos, mas precisamos começar a olhar para si próprio para entender o que  nos é externo. É! olhar para dentro e o mais profundo possível, olhar com paciência e sobretudo humildade para aceitar que nem sempre encontraremos o ser brilhante que sempre sonhamos. É preciso ter consciência, ter noção de precisamos nos desprender de algumas bagagens mesmo que provisoriamente, depois, quando retornarmos do nosso sub-consciente resolveremos se as bagagens ainda serão úteis, percebendo-se com um ser diferente mesmo que por uma mínima percentagem.

Roberta Castro