Pensar nas obras artísticas que são produzidas na atualidade, requer também que pensemos na sua componente multimédia, pois muitas obras utilizam elementos que possuem algum aspecto das novas tecnologias. Estas já fazem parte dos processos, das pesquisas, das leituras, das discursões dos processos criativos.

Mais especificamente, entrando no campo das artes cênicas, Béatrice Picon-Vallin, diretora do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França e professora da Universidade Paris III, fala de um ensino do teatro que aborde os dispositivos dos novos médias e também as neurociências, favorecendo a importância de um ensino de teatro híbrido:

        Considero hoje que o teatro existe sob formas múltiplas; atualmente, sua característica essencial é de ser completamente         estilhaçado, de ser uma paisagem que está totalmente “à procura”. Escolheria, talvez, a noção de “hibridação”, que me parece importante porque remete à ciência, às pesquisas das “ciências duras”, e acredito que o teatro tem muito a aprender com elas – particularmente com as neurociências. (Béatrice Picon-Vallin em entrevista para a revista Sala Preta, vol.11, Nª 11, 2011)

Acredito que nestas novas metodologias, as narrativas perdem espaço e está bastante presente a noção de acumulo de elementos, pois a veiculação de uma história já não é tão pertinente, mas sim, a possibilidade de fazer várias ligações. Este acumulo de elementos podem ter relação com a ideia da base de dados dos novos médias, ou seja, a natureza dos dados dos computadores vem da não ordenação das informações, pois há um amontoado delas em forma de imagens, textos, sons, vídeos, etc. Assim a falta de um começo, meio e fim nos médias digitais está por mudar a forma de perceber o mundo.

Como Lev Manovich afirma, somente com a presença dos algoritmos que estão inseridos por exemplo nos jogos eletrônicos, que a narrativa é abordada. Porém ela não aparece passivamente e sim através da interação com o jogador.  Para o autor a base de dados tornou-se a principal forma simbólica nos dias atuais. E se esses fenômenos atingem a própria cultura, obviamente atinge a educação. Os modelos de ensino estão sendo mudados também segundo as perspectivas dos novos médias.

Allan Moscon Zamperini