Videoclipe é um filme curto e em suporte eletrônico (analógico ou digital). Devido à preponderância quase total dos vídeos musicais e publicitários na produção mundial de vídeos curtos, e porque os vídeos publicitários têm uma designação própria, durante algum tempo “videoclipe” foi quase sinónimo de vídeo musical, mas com o advento da internet de banda larga e a difusão de ficheiros de vídeo através dela, a palavra tem vindo a regressar ao seu sentido original.

Conjugando duas formas de arte claramente distintas (a música associada ao som, ao ouvido; e a imagem, associada a visão e ao tacto, conjuga sentidos, vocabulários e formas de expressão artística num só meio, imergindo ainda mais o espectador na sua obra, no seu ponto de vista, na história ou sentimento que ele pretende transmitir através dos materiais à sua disposição. Esses materiais começam a misturar-se, oferecendo-nos novos meios de expressão ou de compreensão.


Nos nossos dias os estudiosos dos “videoclipe musicais” identificam o começo deste tipo de vídeo na década de 1950, com as cenas de Gene Kelly em ‘’Singing In The Rain’’ de 1952 e Elvis Presley em Jailhouse Rock de 1957. O videoclipe tem antecedentes diretos no cinema de vanguarda de 1920, como as experimentações de Dziga Vertov e Walther Ruttmann. Já naquela época, estes cineastas tentavam articular montagem, música e efeitos para criar um novo tipo de narrativa, própria do meio audiovisual e livre dos cânones pertencentes até então à literatura e ao teatro, como a linearidade. As respectivas obras-primas: O Homem com a Câmara e Berlim: Sinfonia da Metrópole, têm muitas semelhanças com a estética do videoclipe atual.


O advento da videotape (fita de vídeo), nos anos 1970, e da videocassete doméstica (aparelho reprodutor de vídeo), nos anos 1980, permitiram reproduzir a experiência cinematográfica (até então coletiva, feita dentro de salas de exibição para centenas de pessoas) de forma íntima, privativa, residencial. Com isso, os produtores passaram a aproximar a forma dos filmes às linguagens da televisão.


Os elementos básicos constituintes do videoclipe são a música, a letra e a imagem, que, manipulados, interagem para provocar a produção de sentido. As características de como estes elementos são construídos incluem a montagem: processo de justaposição de imagens diferentes filmadas separadamente. A mudança de uma imagem para outra é chamada de “corte”, e cada intervalo entre um corte e outro recebe o nome de “plano”. Na montagem de videoclipes, este intervalo costuma ser muito curto; o ritmo; os efeitos especiais (visuais e sonoros); a iconografia: diz respeito à origem das imagens usadas como referência cultural, ao repertório visual utilizado no clipe. Muitos videoclipes fazem referências a figuras de outras expressões culturais, como a literatura, o teatro, as artes plásticas e o cinema, entre outros. Às vezes esse tipo de referência é feito sob a forma de paródia; os grafismos: introdução de elementos gráficos, como tipografia (letras e algarismos), desenhos, animações e formas geométricas, ou quaisquer elementos não-filmados, na imagem final; e os movimentos de câmara, entre outros.

Quanto à sua estética, consiste, geralmente, na caracterização por uma montagem fragmentada e acelerada, com planos (imagens) curtos, justapostos e misturados, narrativa não-linear, multiplicidade visual, riqueza de referências culturais e forte carga emocional nas imagens apresentadas. Um exemplo forte desta nova estética é o videoclipe da canção Bizarre Love Triangle, da banda inglesa New Order, que mistura imagens em movimento e estáticas de cenas urbanas (luzes néon e de postes, automóveis, pessoas a andar nas ruas, em aeroportos e em pontes sobre o Tamisa) com situações oníricas: pessoas engravatadas em queda livre contra um céu azul ao fundo.