Hoje em dia, é fácil encontrar simulações digitais, muitas delas interactivas, de diversos aspectos da realidade. Seja nos videojogos, que tentam reproduzir diversas experiências, desde corridas automobilísticas a cenários de guerra, ou em projectos como Rome Reborn, que vimos na aula, a tecnologia digital abriu a possibilidade de viver experiências que, de outra forma, não estariam acessíveis a qualquer pessoa. Esse desejo de desenvolver a simulação perfeita torna-se perceptível à medida que vemos toda a evolução que foi feita nesta àrea: Gráficos, efeitos sonoros ou mecânicas mais realistas, narrativas mais credíveis, etc. Mas existem sempre barreiras a ultrapassar. Uma delas tem sido o facto de nunca nos conseguirmos esquecer do mundo que nos rodeia. A imersividade da experiência é sempre comprometida pelo facto de que esta se desenvolve dentro de um ecrâ, um ecrâ que está incluido num mundo que temos noção de que é real e do qual é impossível disassociarmo-nos. A solução, para alguns, parece passar pelo Oculus Rift.

O conceito de realidade virtual já é antigo, e as tentativas de o concretizar também. Há várias décadas que se tem vindo a falar neste conceito, mas que nunca vingou, talvez porque, até agora, a tecnologia de que tanto se falava estava à frente do seu próprio tempo. Com a ascenção dos videojogos, da internet, das redes sociais, etc, o interesse despertou outra vez. Tanto que Mark Zuckerberg, dono do Facebook, adquiriu recentemente a empresa responsável pelo Oculus Rift por mais de 2 mil milhões de dólares.

Em que consiste então o Oculus Rift? Básicamente, são óculos que permitem o seu utilizador ver uma simulação digital como se fosse através dos seus próprios olhos, como se ele estivesse dentro dessa simulação. Assim, num jogo de corridas, por exemplo, o utilizador do Oculus Rift vê através dos olhos do próprio condutor fictício. No seguinte vídeo, vemos este exemplo na prática. No ecrâ, vemos aquilo que o jogador está a ver através dos seus óculos. Vemos que quando ele move a cabeça, a imagem no ecrâ também se move, como se o condutor dentro do jogo também movesse a cabeça.

As possibilidades que esta tecnologia abre são imensas. As limitações técnicas que outrora fizeram com que a realidade virtual nunca tenha tido um papel de destaque na sociedade parecem ter sido ultrapassadas ou, pelo menos, bastante polidas. O próprio conceito de experiência multimédia parece estar a atingir outras proporções. E já se fizeram experiências que integraram o Oculus Rift com outras tecnologias, como os sensores de movimento, dando lugar a simulações ainda mais realistas.

Mas não são só os videojogos que beneficiam com esta tecnologia. Mark Zuckerberg parece ter também outros planos para o Oculus Rift.

But this is just the start. After games, we’re going to make Oculus a platform for many other experiences. Imagine enjoying a court side seat at a game, studying in a classroom of students and teachers all over the world or consulting with a doctor face-to-face — just by putting on goggles in your home.

This is really a new communication platform. By feeling truly present, you can share unbounded spaces and experiences with the people in your life. Imagine sharing not just moments with your friends online, but entire experiences and adventures.

These are just some of the potential uses. By working with developers and partners across the industry, together we can build many more. One day, we believe this kind of immersive, augmented reality will become a part of daily life for billions of people.

E, de facto, o Oculus Rift já foi usado para fins semelhantes. No seguinte vídeo, uma mulher incapacitada pelo cancro consegue “levantar-se” e passear pelo jardim, pouco tempo antes de morrer, e tudo graças a esta tecnologia.

Até que ponto esta tecnologia irá conquistar as pessoas? Até que ponto iremos usar o Oculus Rift no nosso dia-a-dia? Será apenas uma moda efémera, ou algo que irá redefinir drasticamente a maneira como nos relacionamos com o mundo? Uma coisa é certa: por muitas tentativas falhadas que já tenham sido feitas nesta àrea, as pessoas parecem ainda não ter desistido deste conceito.

– Fernando Gil