Muito já foi dito nos posts anteriores sobre o stop-motion, os seus primórdios, o seu desenvolvimento, contribuições para o cinema, videoarte e o hibridismo que lhe confere, bem como as alterações técnicas e narrativas dentro da arte. Do final da década de 1820, a fotografia solucionava o problema do registo de imagens do mundo real, algo que até então a pintura não solucionara na totalidade, no entanto as imagens continuavam estáticas, surgindo o cinema, que possibilitava agora a pojecção de uma sequência de fotografias que aparentam movimento.
            O Stop-Motion leva essa desconstrução/construção de movimento de novo ao seu estado mais básico e inicial, exigindo grande trabalho e dedicação, mas abre outros caminhos para a arte, a manipulação da nossa visão, o que achamos que vimos em comparação com o que realmente nos é mostrado. Artista que trabalhou bastante esta ideia do que Tim Burton, cineasta norte-americano que prefere este tipo de animação a todos os outros pela liberdade criativa que lhe dá. Trabalhou no desenho de “The Fox And The Hound”, mas insatisfeito com a direcção artística do filme, foi nesta mesma altura que realizou a sua primeira animação em stop-motion “Vincent”.

           Seguiu-se “The Nightmare Before Christmas”, dirigido por Henry Selick, produzido e escrito por Tim Burton, com música de Danny Elfman, que curiosamente foi visto com desconfiança na altura em que estreou, pelo seu lado mais “obscuro e assustador para as crianças”, segundo a Walt Disney. O filme foi lançado sob o nome da Touchstone Pictures, mas foi considerado ao longo dos anos como um sucesso crítico e financeiro, ganhando mais fãs à medida que o tempo passa. É baseado num poema de três páginas, escrito por Burton dos inícios de 1980. O design de produção foi feito como um livro pop-up, e a sua estética remete muito para o expressionismo alemão cinematográfico dentro da Halloween Town. “James And The Giant Peach” é um misto de lice-action e stop-motion.


            “Corpse Bride” foi outro dos seus grandes êxitos, mais um filme de animação com uma temática mais macabra e exigente, mas com uma excelente história, baseada num conto russo-judaico do século XIX, foi co-dirigido pelo mesmo na companhia de Mike Johnson. Nomeado para categoria de Melhor Animação na 78ª Cerimônia dos Oscars, mas perdeu para outro filme de stop-motion, “Wallace & Gromit: The Curse Of The Were-Rabit”. Apresenta características semelhantes a filmes anteriores como “Beetlejuice”.

           Finalmente, o seu último trabalho em stop-motion foi “Frankenweenie”, remake da curta-metragem de 1984, é feito totalmente em stop-motion, preto e branco e formato 3D. O desenvolvimento desta longa metragem estava datado de Novembro de 2005, mas as filmagens começaram apenas em 2010. Sparky, o cão, devia ser pequeno em relação aos outros personagens, mas grande o suficiente para albergar todos os elementos do esqueleto mecânico posto dentro da sua espuma e varias encarnações com base de silício. No entanto, as peças eram pequenas e delicadas, em alguns casos, foi necessário que relojoeiros suíços criassem as porcas e os parafusos. Cerca de 200 bonecos foram usados separadamente, com 18 versões diferentes, tinham também cabelo humano, com 40 a 45 articulações para os personagens humanos e cerca de 300 peças para Sparky. Quem tiver curiosidade quanto a stop-motion, Tim Burton é dos artistas mais recentes, com um excelente trabalho dentro do gênero, complementando com todos os outros elementos cinematográficos (linha de história, construção de personagens e cenários, banda sonora, etc).

                                                                                                                                                                      Andreia Sofia Sousa Martins