Stopmotion, como o nome indica por si só, é o congelamento de um determinado movimento. A palavra motion, reflecte o processo de alteração de posição de um elemento ou personagem.Vários congelamentos de um movimento sintético permitem-nos realizar algo que o inicial movimento não manipulado não consegue.

O que faz esta técnica ser tão singular e tão importante na nossa percepção artística? A diferença que reside no Stopmotion baseia-se no hibridismo, a capacidade que este tem de albergar diferentes combinações de meios.

Sendo uma técnica que pode ser albergada nos diversos meios artísticos, acaba por receber as diversas potencialidades deste. Este pode ser inserido em instalações de vídeo-arte, cinema, ou outra combinações que aliem a junção de vários fotogramas a fim de criar movimento. O que interessa na questão é aquilo que este pode alterar em termos de montagem e significado de narrativa. O tempo é desfasado/des-sincronizado e toda a noção da realidade desaparece. Um caso significativo dessa tentativa de ilusão é o filme “The Haunted House” (1908), em que podemos experienciar uma tentativa de narrativa ilusória: a história idealizada de espíritos que se movem (e fazem mover) determinados objectos da casa. Trata-se da ação bastante rudimental, em que os objectos são manipulados frame a frame pela mão humana, sem qualquer artifício tecnológico.

Existem dois géneros de manipulação Stopmotion, na qual ambas expressam acções impossíveis na nossa realidade temporal: Uma delas é a deslocação sintética de um objecto de um local para o outro, dando a ilusão de movimento acelerado; A outra é a manipulação aliada à transformação desse mesmo objecto, em que este pode atribuir diferentes formas, cores e texturas. O primeiro caso pode ser atribuído à saga Star Wars, na qual diversos bonecos em miniatura são expostos de forma a parecerem colossais, atravessando o campo de visão, como verdadeiros animais extra-terrários.

No que toca à manipulação e transformação do objecto, a ideia remete-nos à contemporaneidade, mais concretamente ao projecto do artista PES (Adam Pesapane). Este artista leva-nos a um mundo imaginário onde os objectos se reduzem e se multiplicam até à sua noção de infinito. No caso do clip “Western Spaghetti”, o artista leva-nos ao imaginário daquilo que se poderia considerar um almoço impossível: esparguete feito de elásticos, bacon feito de plasticina “mutante”, árvores feitas de notas, cortadas e usadas como “condimento” a um prato que se torna imageticamente apetitoso. Aliado à imagem e ao movimento, está o som que descreve a combustão do fogo imaginário, do romper das bolhas através da panela, da massa escorrida no prato.

Estes dois exemplos são referentes aos diferentes processos utilizados em dois meios: cinema e videoarte. Sendo exemplos de diferentes motivações e espaços temporais, não deixam de ter algo que os une no contexto de arte “mediada”: ambos adotam um hibridismo adequado ao seu meio. Talvez o mais importante esteja situado nas diferenças: a total noção do meio em Star Wars (tendo em conta que o espectador tem a total noção de como o objecto foi manipulado pelo indivíduo), e o disfarce das técnicas de manipulação de imagem em “Western Spaghetti”, em que o nível de manipulação se torna tão complexo que nos leva a perguntar “Como é que este objecto se transformou de forma tão suave sem qualquer tipo de manipulação tecnológica?”. Tal nível de manipulação pode ser explicado através do uso de uma grande panóplia de objectos, postos de forma a que pareçam que foram aumentados por artes mágicas.

Em tom conclusivo, pode-se afirmar que, fora de qualquer artifício de magia, o stopmotion deixa-nos a imaginar as imensas posibilidades artísticas ainda por revelar no mundo do vídeo.