A modernidade é responsável por inúmeras inovações sobretudo a tecnológica, criou um outro modo de se perceber a relação entre o espaço e o tempo em uma dinâmica em que a rapidez e a velocidade eram um marco do mundo moderno no início do Séc XX. Dessa forma criou-se novos gostos e consequentemente novas estéticas artísticas.

A nova configuração influenciada pela estética tecnológica digital, altera o sentido tradicional que é modificado pela incorporação desses novos dispositivos resultando na emergência de novos fazeres e pensamentos sobre a arte. Assim como em outras áreas, a dança também foi contagiada pelas novas formas de comunicação, vem cada vez mais (…) incorporando os dispositivos tecnológicos dos meios de comunicação como meios para sua própria produção (SILVA, GROTTO), que se identifica e se define aos novos preceitos na arte contemporânea.

A criação de dança na linguagem contemporânea é voltada ao estudo do corpo que dança como principal agente significativo e construtor de sentido no discurso coreográfico. O corpo é o instrumento que inscreve a sua própria imagem enquanto a dança inscreve o valor simbólico que representa ideias transcendidas através do movimento.

No espaço cénico a dança representada a seguir está na sua forma tradicionalmente reconhecida enquanto linguagem “pura”, tem o vídeo como mero registo do momento, o que diferencia-se quanto o termo é Vídeo-dança.

A predominância do corpo em relação a outros elementos compõem uma obra de dança. O corpo além de ser o meio, a mídia da dança é sua própria mensagem. Já no Video-dança, toda atenção voltada ao corpo que dança passa ser dada ao vídeo: é nele, por ele e para ele que a dança é construída. A dança para a câmara recupera corpos mortos reinventando-os e reincorporando-os. (…) o detalhe, fragmento são articulados para sugerir o todo, sem que esse todo, entretanto, possa jamais ser revelado de uma vez só. (MACHADO).

Como uma nova forma de dançar o Vídeo-dança é um ponto de encontro entre dança e câmara que é criado particularmente para a tela e construído a partir do enfoque para a câmara, pode-se inventar o corpo, o espaço e o tempo através da combinação de imagens seleccionadas por quem filma, que também “dança” quanto por quem edita modificando assim o olhar de quem assistir em quanto produto. Partindo disso, faço uma analogia na relação do actor que actua em teatro tradicional e do actor que actua para a televisão. São dois direccionamentos diferente. Quando o espaço do actor é a televisão, seu olhar, gesto e intenção são re-estruturados devido a presença das câmaras.

A combinação do cinema e da dança articulados através do dispositivo câmara resulta no conceito Intermédia devido a dois segmentos que a priori funcionam “isoladamente”, mas que quando accionados transitam entre si nessa mesma linguagem, no caso a Arte Contemporânea. Um diz respeito ao vídeo-arte e outro a dança contemporânea. O papel comunicacional dessas novas manifestações não são apenas só o vídeo nem tão nem apenas a dança, nem somatório dos dois, é na verdade uma relação entre ambos, um hibridismo das formas representativas de comunicação artística.

Roberta Castro