Podemos ver na pintura o desejo de transcendência do meio? Sim. Destaca-se a emancipação da cor relativamente à forma. A cor pode deixar de ser ‘só’ cor para ser sinónimo de estado de espírito do pintor. A cinetização da imagem, ou seja, torna a imagem com movimento ou cria essa tal ilusão. Quer-se uma imagem expressiva dotada de estados de espírito… Assim, a tensão entre a abstracção e a expressão constitui uma das polaridades da arte modernista nas primeiras décadas do séc.XX. Quando se avança para as representações modernistas, já não se apresentam como uma representação óptica que nós pudéssemos ver dia-a-dia. A composição e o jogo das formas entre si são diferentes. Aquilo que interessa é a dimensão expressiva da pintura.

Um exemplo é de Paul Cézanne, “Maças e Laranjas Image

A intensidade da cor também se encontra em quadros como o de Maurice de Vlaminck: 

Vlaminck foi ignorando os detalhes, a paisagem tornou-se uma desculpa para expressar o seu humor através de pinceladas de cor agressivas. Mais tarde, Vlaminck começou a experimentar a desconstrução: trata-se de transformar o mundo físico, dando uma impressão de movimento: Maurice de Vlaminck 1876-1958 | French Fauvist painter

Estes são alguns exemplos em relação à pintura em que os artistas interrogam o próprio meio, pondo em causa as suas fronteiras. A arte funciona assim como investigação das possibilidades expressivas e comunicativas dos meios e dos materiais.