Wagner afirmou no passado que a arte tinha uma incapacidade total de afectar a vida pública “no sentido das aspirações mais nobres”, na medida em que só era realmente entendida por uma classe de artistas privada, ela portanto “oferece prazer apenas aqueles que a entendem, e para ser entendida exige um estudo particular, distante da realidade da vida”. Wagner criticava o tipo de arte “privada”, que consequentemente separava gente culta de gente inculta, assim sendo, a arte apoiava-se na ausência de formação cultural daqueles que constituíam o grosso da sociedade. Wagner procurava um gênero de arte total, que incorpora-se todas as artes, e todas as pessoas, “a obra de arte colectiva será livre e será inteiramente aquilo que pode ser”.

            Ela deveria, portanto, abranger tudo o que existe no mundo, e não aspectos relacionados apenas com um grupo elitista. Apesar das inúmeras questões que ainda surgem em torno dos novos media (consideremos que em relação à arte, os novos media são ainda uma invenção que caminha nos seus pés de adolescente), foram-se tornando um importantíssimo “amigo e companheiro” das artes. Ao longo de alguns séculos, a arte evoluiu de algo direcionado e acessível apenas a poucos privilegiados com o dinheiro, as circunstâncias e a educação para a perceber, para algo que afecta tudo e todos, que se encontra à distância de um clic do rato, ou da compra de um livro na loja mais próxima. Hoje em dia temos acesso aos esboços de Leonardo Da Vinci, às obras de Newton e Einstein, aos quadros de Picasso e Monet, às óperas de Mozart e às Sinfonias de Vivaldi, até às artes mais recentes, como o cinema e a vídeo arte, possíveis graças às evoluções tecnológicas, as obras de Charles Chaplin, Georges Méliès ou Alfred Hitchcock, Bill Viola, John Baldessari e Jesper Just.

Leonardo Da Vinci:

Picasso:

Monet:

Mozart:

Vivaldi:

Charlie Chaplin:

Georges Méliès:

Alfred Hitchcock:

Bill Viola:

John Baldessari:

Jesper Just:

            As novas tecnologias e os novos media permitem-nos agora um maior conhecimento e um acesso muito mais fácil e rápido às mais variadas obras, das mais variadas áreas artísticas. Permitem também o nascimento e crescimento de um conjunto completamente novo de artes. Na área da música, os Videoclipes têm crescido e melhorado em termos de set e de história, alguns deles são agora uma espécie de minifilmes, conjugando vários tipos de artes.

             Filmes permitem-nos viajar a mundos completamente diferentes do nosso, com regras, crenças e rotinas distintas das nossas como Incepsion, Percy Jackson, The Host e The Last Samurai, ou oferecem-nos um breve e incompleto olhar a pequenos flashes da vida de pessoas que deixaram o seu nome marcado na história, como Mozart em Amadeus, Jane Austen em Becaming Jane, Cassanova, Luís XIV em The Man In The Iron Mask, e William Shakespeare em Shakespeare In Love, que embora sejam muitas das vezes trabalhos de ficção, não literais, proporcionam-nos um pequeno exemplo do que aquela vida podia ser, ou de como o artista a imagina. Permite-nos também usar a literatura e acrescentar a imagem às palavras que conhecemos há séculos ou décadas, como Pride And Prejudice, Dorian Grey, Bright Star, Elvis The Early Years e The Cloud Atlas, criando sets, figurinos, cópias arquitectónicas em grande escala, maquilhagem, discurso linguístico, música como banda sonora, entre outro número infinito de aspectos, tornando muitos géneros artísticos mais ricos, mais trabalhados, mais evoluídos, que influenciam um maior número de pessoas.

É inquestionável que muitas vezes, determinadas criações artísticas estejam muito longe da verdade de histórias e lendas que nos acompanham desde que nascemos, mas é inegável que nos proporciona boas horas de lazer e de interrogação sobre determinados temas, por muito incapazes que sejam de ser fieis à realidade, ou de conseguir chegar às expectativas do consumidor, é no entanto brilhante o trabalho e esforço que se encontra por trás de tais obras, e o gosto que nos dá velas, como por exemplo em Troy, 300, Pompei e The Hobbit.

            É verdade que contínua a ser necessário um determinado tipo de formação para compreender e analisar a arte corretamente, mas ela é agora algo que pode ser visto pelo pobre ou pelo rico, pode ser discutida numa universidade ou num café por todo o tipo de pessoas, as vezes apenas pelo prazer de falar sobre o que viram e gostaram, ou de criticar o que não gostaram. No entanto, hoje a arte faz parte integral das nossas vidas, na rádio, na televisão, em posters publicitários ou billbords luminosos, em talk-shows ou programas mais sérios, a arte começa a aproximar-se da ideia que Wagner defendia de que seriam muito mais bela e completa se trabalhasse em conjunto, se a imagem preenche-se o espaço deixado vago pelas palavras, que nos transmitem a necessidade de projectar no nosso subconsciente representações pictóricas, ou da actuação, que geralmente requer figurinos e adereços, ou da música que ajuda a transmitir determinado sentimento ou estado de espírito, a arte tornou-se cada vez mais híbrida, complementando-se a ajudando-se mutuamente.

Andreia Martins