Friedrich Kittler, em “Optical Media” afirma que os média são substitutos dos nossos sentidos.

Há as artes tradicionais como a pintura, a escultura, a arquitectura, a música, a dança, a literatura, o teatro… E depois há os médias automáticos como a fotografia, a fonografia, o cinema, o rádio, tv ou mesmo o computador… 

A inscrição simbólica que o autor fala tem haver com códigos de representação que se inscrevem na tela, por exemplo, quando falamos em pintura, que por sua vez trabalha com as formas e com as cores; quando se fala em literatura, trabalha-se com a linguagem e com a escrita. Há várias técnicas e estilos e isto tudo é simbólico. A inscrição física do real insere-se não no regime da arte, mas no regime dos média: quando se tira uma fotografia, por exemplo, nos média isso acontece porque não se está dependente de um código que seja traduzida pela mão. O real inscreve-se. Os média captam o que os sistemas simbólicos não captam… Por exemplo, quando se grava alguém a falar, não se capta só a voz, mas todos os outros pormenores como as suas pausas, as hesitações, os gestos, a respiração, etc… 

A diferença e a relação da arte com os média são as pinturas que nos parecem fotografias. Existe uma certa simulação e o que lhes falta para ser média é o movimento. Vou apresentar alguns exemplos de pintores hiper-realistas contemporâneos que criam obras bastante realistas seja pintando objectos, paisagens ou retratos. Os hiper-realistas utilizam-se das cargas sociais ou emocionais de suas obras, contextualizando-as de modo a criar narrativas singulares e cheias de poesia. Apesar das obras aproximarem-se da realidade a ponto de serem quase idênticos, não são a realidade. Essa simulação de realidade cria a ilusão de uma nova realidade, mais complexa e, principalmente, mais subjectiva:

Alyssa Monks – pintura figurativa e abstrata; utiliza filtros como a presença de água, vidro e vapor, que distorcem as figuras que faz representar

Alyssa Monks

Alyssa Monks

 

Juan Francisco Casas – utilzação de caneta bic

Juan Francisco Casas hiperrealismo

 

Paul Lung- lápis

Paul Lung hiperrealismo

 

Paul Cadden – Grafite, giz branco e carvão

hiperrealismo Paul Cadden

 

Matteo Mezzetta – quotidiano a preto e branco

Matteo Mezzetta

Matteo Mezzetta