O humano sempre esteve a procura de construir ferramentas que saciassem alguma necessidade, uma limitação ou algum desejo. Ele criou mecanismos que vão desde um corte e trato de um pedaço de madeira para a construção de uma colher, até o lançamento de satélites de alta tecnologia que aumentam o nosso poder visual e geram uma noção global do planeta e suas redondezas. As limitações do homem foram sendo supridas com suas invenções e este já é capaz de “voar”, de enxergar centenas de metros abaixo da superfície do mar, de registrar o passado, dentre muitas outras capacidades. Houve um aprimoramento ao longo da história e a capacidade inventiva do homem não cessa.

As tecnologias, com destaque para as que surgiram a partir do século XIX, como a câmara, o rádio, o telegrafo, o telefone, o microfone e depois a televisão, o computador, o celular, entre outros, foram proporcionando ao homem modalidades com aspectos de extensões do corpo. Basta pensar na semelhança da lente da câmera com os olhos, ou o microfone como amplificador da voz.

O artista Stelios Arcadiou, com o codinome Sterlac, é um exemplo de artista que coloca como questão a relação do corpo com os médias, e propõe uma transformação da forma do próprio corpo através da utilização de próteses, artefatos de robótica, instrumentos médicos, biotecnologia e internet. Sua busca é uma forma de hibridizar-se com máquinas, mostrando um corpo que pode ter suas partes substituídas ou estendidas. Abaixo, encontra-se um trailer de um trabalho exposto por Sterlac na STRP BIENNALE 2013:

Isso possibilita compreender que no pensamento deste artista, o corpo não precisa ser mais recuperado ou tratado quando ocorre uma incapacidade, pois ele pode sofrer substituições. Isso possui relação com a ideia de que o corpo cada vez mais tem suas faculdades biológicas substituídas por algum média.

E a arte expõe muitas vezes formas de ressignificação destes dispositivos, colocando estas formas de inscrições físicas em questão e também em conflito com as formas de inscrição simbólicas da arte.

Allan Moscon Zamperini