Empiricamente sou levado a crer que não existe experiência mais intensa de uma realidade simulada do que aquela que é vivida durante um sonho lúcido.

Olhando para a história dos média ópticos é facilmente observável que o caminho das artes que se inserem nesse campo foi trilhado na direcção da simulação da realidade. A técnica de perspectiva desenvolvida entre os séculos XV e XIX, que proporciona a ilusão da existência de três dimensões numa tela bidimensional, é o antepassado da actual simulação de tridimensionalidade existente nas salas de cinema. Segundo Friederich Kittler nós não sabíamos nada acerca dos nossos sentidos até os média nos munirem de modelos e metáforas que nos permitissem compreendê-los em crescente detalhe. Tendo isto em conta, é plausível deduzir que o detalhe em que nos conhecemos é consequência directa da forma como os média se aproximam da simulação da realidade. Até certo ponto, para se concretizarem numa materialização, os média ópticos necessitaram de um referencial físico pré existente, algo que a era do digital veio mudar. Hoje, com a computação gráfica, é possível materializar uma imagem mental como se de uma fotografia se tratasse sem que seja necessário recorrer a qualquer tipo de referencial físico. A materialização física do imaginário, isto é, a materialização física de algo que não tem um referencial mas que parece real e que é feito digitalmente, trás consigo uma mudança de paradigma: Os média ópticos existentes antes da era digital poderiam apenas almejar simular o funcionamento dos órgãos que apreendem a realidade, hoje, encarando a computação gráfica como o futuro antepassado de algo que ainda está para vir, podem de alguma maneira almejar simular o funcionamento da mente, podem no seu expoente máximo almejar a materialização dos sonhos.

New Evolutionary Paradigm

Reinaldo Gonçalves