Três formas distintas, cada uma com um crescimento e história autónoma e singular, mas que no entanto, têm aspectos em comum, tanto a primeira: uma arte tradicional e antiquíssima baseada numa grelha simbólica (como a arquitectura, música, dança, teatro, literatura e escultura); bem como os dois seguintes: médias automáticos, baseados na inscrição físico-química do real (fotografia, fonografia, cinema), ou em processos matemáticos ou electromagnéticos de armazenamento e transmissão (rádio, televisão, computador), artes que ao longo do tempo se foram fundindo e misturando, criando uma hibridez de estilos que às vezes se torna difícil de explicar ou situar, esta hibridez, leva a que mais tarde se gerem códigos que levam a que o género artístico seja definido por si mesmo.

                O cinema nasce, inicialmente e meramente como uma arte de ilusão, sendo a sua primeira ilusão a ideia de movimento, o objectivo principal de um artista torna-se a criação de emulações que captem momentos reais da vida, o desejo do movimento é criado porque nos aproxima da realidade. O multimédia, enquanto mediação e não como forma de arte, transmite e reproduz outras artes, torna-se uma extensão dos nossos sentidos. Em regra geral, as artes trabalham com questões simbólicas, enquanto que os dispositivos dos média trabalham num domínio relacionado com a inscrição física.

                Na história da pintura têm-se o momento inicial, seguindo-se um desejo fotográfico de emular a nossa percepção do real, sendo as técnicas usadas na pintura antecedentes da fotografia. Das técnicas primitivas da câmara obscura e da lanterna mágica, passou-se a uma representação do real ainda mais elevada, a fotografia e o cinema, algo que muitos pintores do passado tentaram copiar ao máximo nível na pintura (Michelangelo, Da Vinci, Caravaggio), um equilíbrio entre a natureza simbólica da imagem e o efeito realista da perspectiva, estudando-se cor, luz, perspectiva, ângulos (Da Vinci possuía inúmeros cadernos dedicados ao estudo de formas e cores), mas é necessário fazer a distinção entre as artes tradicionais e os média automáticos: a primeira transmite sempre o ponto de vista do artista (pintor, escultor, escritor) e o seu estilo singular é-lhe inegável (traços numa pintura, expressões numa frase, detalhes num edifício), o artista manipula os objectos e materiais usados para dar vida a uma determinada visão artística que teve; no entanto, o segundo, são geralmente dispositivos de reprodução e transmissão, e quando se tornam dispositivos de criação, são mais fáceis de manipular, ao ponto de criar uma cópia idêntica de determinada obra ou ficheiro.

                Das artes tradicionais (pintura), foi-se evoluindo para a fotografia, e mais tarde para o cinema como criação e representação do real, gerando depois a sétima arte que conhecemos hoje, que não só é uma mera representação do real, como têm agora a possibilidade de criar realidades e mundos diferentes dos nossos, oferecendo-nos uma variedade infinita de escolhas de criação, onde, no que toca a imaginação, praticamente nada tem limites. O mundo artístico é vasto, e cheio de incógnitas, mas é inquestionável que os novos média e a arte multimédia são os sucessores das artes tradicionais, que se foram-se misturando e contestando ao longo dos séculos, permitindo que cada um crescesse e se fixa-se como arte, à sua maneira, é no entanto inegável a sua ligação.

Leonardo Da Vinci

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Caravaggio

Michelangelo