Oskar Fishchinger desenvolveu um cinema de animação que combinava técnicas de sincronização da imagem e do som. Fez animações para a Disney e até influenciou John Cage. Encontramos nos seus filmes experiências de cinema abstracto com formas variadas, que vão desde espirais a círculos numa montanha de cores que vão surgindo. Podemos classificar os seus filmes como construções espirituais de animação, pois vendo os seus filmes quase que nos vemos submersos num estado hipnótico… Essas pequenas formas que mergulhavam no vídeo, acompanhadas pela música, pareciam ter propósito e significado. Fischinger utilizava a música para fornecer um equivalente visual, uma sincronização do movimento visual como produtor de emoções. No vídeo apresentado em baixo, podemos observar que o som acompanha as formas que vão aparecendo, dando a ideia que o som é que modela a imagem… A questão da imersão do espectador no espaço virtual das imagens em movimento reforçado pelo espaço sonoro é importante no trabalho do animador-abstracto: sem som não há imersidade porque o espectador não se sente totalmente dentro do espaço. 

A imagem é uma tradição do som. Há uma correspondência entre som e imagem de forma a obter momentos emocionais… O cinema faz com que joguemos com o sistema imerso e quando os nossos sentidos são postos num objecto, a imersão fica maior. Todo o seu trabalho foi produto da sua imaginação, sem computadores envolvidos e isso é o mais espantoso.

A curta é de oito minutos, cheia de precisão geométrica em movimento brilhante, tendo sido utilizado o Technicolor primário, ao som de Rhapsody Húngara No. 2 de Liszt. Durante o visionamento, o espectador é levado numa jornada abstracta que pode suscitar imensas interpretações diferentes…. Foi produzida pela Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) em 1936.

Aqui vai uma breve explicação segundo Moritz a explicar como é que a curta se processou: “lights hung from various vantage points to create strong shadows that would emphasize depth. The geometric figures in the film circles, triangles, and rectangles were cut from paper and painted in specific hues, then attached to a fish line that could be tied to one of the overhead cross beams. With a painted background behind, each of the paper figures would be moved a millimeter before another film-frame could be shot, then moved a millimeter, etc.”