Para muitos, falta ainda descobrir se o cinema é realmente uma arte associada à multimédia, ou se, apesar de ser totalmente dependente do meio tecnológico, se tornou já numa arte com uma linguagem e história independente dos media usados. No entanto, torna-se claro que, em certos casos, podemos afirmar que o cinema é uma arte multimédia, na medida em que determinados mundos ou histórias são impossíveis de construir sem a completa ajuda de meios tecnológicos. O uso de efeitos especiais, termo relativamente novo que descreve o que antes era chamado de “efeitos fotográficos especiais”, pode-se tornar confuso, mas entre eles encontram-se os efeitos visuais ou ópticos, onde se baseia uma manipulação de uma imagem fotografada (Ex: Star Trek- USS Enterprise a voar através do espaço); efeitos físicos ou mecânicos, obtidos durante filmagens ao vivo (R2-D2 no Star Wars); efeitos sonoros produzidos digitalmente ou com auxílio de mixagem de som.

                O digital tem um caracter radical peculiar, na medida em que desafia categorias e práticas tradicionais. Cada média cresceu de forma independente, encontrando o seu caminho como forma de expressão antes de se estabelecer num sistema rígido com o seu próprio conjunto de regras, sendo essa integração liderada polo desejo de combinar formas de arte de forma a reflectir a nossa apreensão sensorial do mundo. Assim, a tecnologia digital permite-nos buscar impulsos através da criação de ambientes virtuais plenamente realizados.

                Há portanto certos géneros cinematográficos que beneficiam grandemente do uso dos meios tecnológicos, existindo um infinito número de exemplos (Alice in Wonderland, Avatar, Star Trek, Cloud Atlas), mas nenhum deles têm uma relação tão intima com a Arte Multimédia como o cinema de animação, um processo segundo o qual os fotogramas do filme são produzidos individualmente, podendo ser gerado por computação gráfica ao fotografar imagens desenhadas, ligando os fotogramas entre si a uma velocidade de 16 ou mais fotogramas por segundo, cria-se uma ilusão de movimento contínuo.

                Geraram-se ao longo dos anos, e ao longo da própria história do cinema, variadas técnicas de animação, entre elas encontramos a animação totalmente digital, destinada à criação de imagens em movimento utilizando recursos de computação gráfica, com o auxílio de gráficos 3D, sendo por vezes o seu destino o próprio computador, ou outro meio como filmes de propaganda ou de cinema. Este género de animação é sem dúvida o sucessor digital da animação stop motion (onde o caso mais conhecido é The Nightmare Before Christmas de Henry Selick com produção de Tim Burton). Existem inúmeros programas que podem ser transferidos para o computador para criação de animação como o JellyCam V2, Take5, Animator HD, iStopMotion, 3DS Max, Maya, sendo o mais conhecido o Blender.

                Torna-se portanto claro que em certos casos, e apesar de ambos os meios artísticos (multimédia e cinema) possuírem sem dúvida histórias e linguagens distintas, é-nos cada vez mais difícil separar um do outro, pois eles complementam-se e regeneram-se mutuamente, tornando-se em muitos casos uma fusão perfeita entre tecnologia e arte.

                Aqui deixo um exemplo de um vídeo de animação totalmente gerado com o programa Blender, bem como o site onde podem ver mais filmes deste género:

http://archive.blender.org/features-gallery/movies/index.html.