A ilusão é uma condição da arte. A representação realista sempre foi o desejo de muitos artistas, em diversas épocas e estilos. O Barroco, por exemplo, levou tal desejo ao extremo através da construção de um espaço ilusório e imersivo.

“Assim, a primeira característica da pintura barroca é a utilização de recursos ilusionistas, ou seja, de um tipo de representação que, através do uso da perspectiva arquitetônica, tem tetos e paredes que ampliam o espaço, dando a impressão de muito maior amplitude. Esse recurso, que os franceses chamam de trompre l’oeil, já fora utilizado anteriormente, mas no barroco é levado às últimas consequências e corresponde, efetivamente, ao caráter cenográfico e de infinito que as composições barrocas sempre procuram enfatizar”. (BATTISTONI, 1989, p. 81)

Temos um exemplo de tal espaço imersivo no afresco do teto da Igreja de Santo Inácio, em Roma, edifício construído a partir de 1627, por iniciativa do Papa Gregório XV, após canonização de Santo Inácio de Loyola em 1622. Andrea del Pozzo utiliza a técnica de trompe l’oeil[1], no qual artifícios de perspectiva criam uma ilusão óptica, retratando cenas, objetos ou formas que não existem realmente. Criando a falsa sensação de uma enorme cúpula sobre o telhado plano, o efeito ilusionista atingido no trabalho de Pozzo faz o observador contemplar uma cobertura semiesférica, onde até mesmo os elementos arquitetônicos são figuras pintadas.

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Andrea del Pozzo – Apoteose de Santo Inácio, 1685-1694. Igreja de Santo Inácio de Loyola, Roma

Mas tal desejo não se esgotou na arte Barroca, podemos encontrá-lo não só em movimentos posteriores, como também, em diversos artistas da arte moderna à contemporânea. Temos como exemplo a pop art e o hiperrealismo, assim como também as produções cinematográficas em HD, o holograma e o 3D.

É certo que os novos medias digitais contribuíram muito para que, o que antes eram apenas simulações, se tornassem verdadeiros simulacros. Hoje, seja no cinema ou principalmente nos jogos virtuais, podemos realmente experienciar uma imersão nunca antes imaginada. Na arte, para além da pintura, cada dia mais tais ambientes exploram ao máximo a percepção sensorial do espectador, através da utilização de hardwares e softwares, gerando interfaces de simulação.

Tal proposta está presente na obra do artista contemporâneo japonês Masaki Fujihata (1956), que utilizando vídeos e imagens em conjunto com um GPS, propicia ao expectador uma interação com um ambiente virtual.

 

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“Simultaneous Echoes”, 2009

Evandro Santos
 
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Referências: 

BATTISTONI, Duílio – Pequena história da Arte. 3ª ed. Campinas, SP: Papirus, 1989.

Simultaneous Echoes. Disponível em http://www.fujihata.jp